Planejar a vacinação é preciso – e já é possível
Quanto mais cedo tivermos a vacina contra a Covid-19, mais rápida será a recuperação econômica
Quanto mais cedo tivermos a vacina contra a Covid-19, mais rápida será a recuperação econômica, isso é certo. Portanto, o esforço dos governos deve ser o de buscar as vacinas, fazer contratos antecipados com as farmacêuticas e montar os sistemas de vacinação – o que inclui comprar materiais (seringas, agulhas, etc.), preparar os técnicos e organizar a logística.
Cada vacina, claro, tem suas particularidades – na conservação, no número de doses e até no preço. Mas tudo isso pode e tem que ser organizado. Uma questão é: temos como organizar um projeto para que mais de 200 milhões de pessoas sejam vacinadas (respeitando-se os direitos individuais de quem queira tomá-la ou não)?
Segundo o Mapa das OSCs (Organizações da Sociedade Civil), o Brasil conta com cerca de 782 mil dessas entidades, que atuam nas mais diversas esferas: da justiça criminal à educação, saúde, cultura e pesquisa, essas organizações desempenham o importante papel de prestar assistência social e apoiar o Estado na garantia de direitos fundamentais da população.
Em diversas plataformas e ferramentas que mapeiam os esforços para conter o avanço do vírus no Brasil, aparecem ações das OSCs, seja na produção de EPIs (equipamentos de proteção individual, em falta em diversas unidades de saúde do Brasil), seja na arrecadação de cestas básicas ou de recursos para comprar alimentos e kits de higiene e distribuí-los em locais de alta vulnerabilidade social. Diversas organizações também prestam serviços essenciais, e têm aval do governo para continuar a operar e atender a população.
Temos ainda as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), a porta de entrada preferencial do SUS (Sistema Único de Saúde). O objetivo destes pontos é atender até 80% dos problemas de saúde da população, sem que haja a necessidade de encaminhamento para hospitais. Nas UBSs, os usuários do SUS têm acesso a consultas médicas, curativos, tratamento odontológico, vacinas e coleta de material para exames laboratoriais.
O PSF (Programa Saúde da Família) foi implantado no Brasil pelo Ministério da Saúde em 1994. É conhecido hoje como “Estratégia de Saúde da Família”, por não se tratar mais apenas de um “programa”. Como consequência de um processo de desospitalização e humanização do SUS, o programa tem a vantagem de valorizar os aspectos que influenciam de forma positiva a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar. Hoje, atende dezenas de milhões de pessoas de forma bastante satisfatória.
O Brasil ainda conta com 6 mil hospitais, 61% deles privados. Dispõe de uma cadeia imensa de unidades de medicina diagnostica – várias delas, aliás, com unidades de refrigeração capazes de acondicionar vacinas na temperatura adequada.
Se o que queremos de fato é vencer o virus e ativar a economia, as ferramentas – como acabamos de ver – estão já à disposição. É um desafio trivial? De forma alguma – mas frentes por onde começar a resolvê-lo temos, e muitas. Frentes são dados, e dados podem ser trabalhados. O cientista de dados é o profissional que pensa em maneiras de analisá-los para desenvolver sistemas e metodologias de trabalho para explorá-los, aprofundando-se nos aspectos técnicos e abrindo caminho para que problemas complexos tenham soluções.
Um dito popular afirma: “Ninguém planeja fracassar. O que pode acontecer é fracassar em planejar”. Tudo de que já dispomos permite, sim, construir um plano. Que pode, quem sabe, já estar a caminho.





