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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Vlady Oliver: O capotamento

A introdução, mostrando Lula como chefe da camorra, mentor do bando e beneficiário principal do esquema de corrupção montado no governo era só um aperitivo do que ainda está por vir na investigação em curso

Por Branca Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 21h50 - Publicado em 15 set 2016, 16h17

Um belo dia, descendo a serra na Via Anchieta, fui testemunha de um capotamento. O carrinho ficou lá, fumegando, com as pernas pro ar, enquanto vários de nós, motoristas, procurávamos lugares seguros para estacionar e socorrer a família ainda dentro. Chamou-me a atenção o fato do cachorrinho da família ter sido arremessado de dentro do carro e ter ficado correndo desesperado em volta do acidente, tentando entrar no veículo de volta. Todos perceberam o desespero do bichinho, mas a hora era de solidariedade e socorro às vítimas.

Porque me lembrei dessa passagem tão vivamente por aqui? Porque o Brasil é um país esquisito. Sou um designer e, como tal, entendi perfeitamente a função do “desenho” feito pela equipe de Deltan Dallagnol onde, numa espécie de “ponto de magia negra”, todas as flechas se dirigem para o Lula. É didático e explicativo. Mais ainda: é audiovisual. O Brasil comum precisa deste tipo de ajuda visual para perceber certas obviedades que tentam nos fazer engolir a seco por aqui.

No entanto, como o cachorrinho que quer voltar ao carro capotado sem entender a gravidade do ocorrido, hordas de “progressistas” pedem que a equipe da Lava Jato contrate imediatamente um designer para fazer seus powerpoints mais bonitos da próxima vez, declaradamente desqualificando o teor da denúncia que os quadros apresentam. É impressionante o trabalho de desconstrução da verdade que se emprega por aqui. A coisa virou meme. Chacota. O maior crime de que se tem notícia por aqui não passa de um gráfico mal feito. Um cachorro tentando pular a janela de volta.

É claro que a confusão entre a forma e o conteúdo é mais um dos artifícios com que jogam estes criminosos para dissimular seus crimes. Dizem que o Mensalão foi uma quadrilha sem chefe para prender, e agora o petrolão é um chefe sem formação de quadrilha para enquadrar, desqualificando a denúncia. Pera lá. O que está provado – o apartamento e as “tralhas” guardadas em favor do chefe, são irrefutáveis, meus caros. Era isso, se não me engano, que a equipe se dispunha a denunciar naquele momento. E o fez claramente.

A introdução, mostrando Lula como chefe da camorra, mentor do bando e beneficiário principal do esquema de corrupção montado no governo era só um aperitivo do que ainda está por vir na investigação em curso. Sabe a equipe da Lava Jato que eles vão ter de enfrentar uma turma poderosa de “desconstrutores da verdade”, incluindo aí figuras indisfarçáveis do nosso jornalismo.

Desqualificar o trabalho feito pela Lava Jato, assim como desqualificar o trabalho feito até aqui por Michel Temer, é a ordem do dia, a ordem de comando e a ordem unida dessa quadrilha encantadora de cobras. É o que sobrou, diante das evidências escancaradas de que são um bando de bandidos dos nossos combalidos e rapinados cofres públicos. Pois eu insisto: frear essa vigarice passa inequivocamente por derrubar a esquerda toda do poder. Toda ela, sem exceções. Mostrar claramente ao cachorro que o carro capotou. Não adianta ele querer entrar de novo pela janela do veículo, abanando o rabinho insolente. Seu dono está morto.

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