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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Sílvio Navarro: Quer que eu desenhe?

Segundo os procuradores federais de Curitiba, Lula foi o “comandante máximo” do maior assalto ao erário da história republicana

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 21h51 - Publicado em 14 set 2016, 21h01

Na tarde de 1º de janeiro de 2003, uma quarta-feira ensolarada em Brasília, o país parou para acompanhar o primeiro discurso do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República. Cercado por chefes de Estado e parlamentares, Lula falou durante 44 minutos em tom emocionado. Num dos trechos, a voz embargada foi sublinhada pelo timbre professoral: “O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo”, prometeu. “É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública”. Foi ovacionado.

Na tarde de 14 de setembro de 2016, a força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou o ex-presidente pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores federais de Curitiba, Lula foi o “comandante máximo” do maior assalto ao erário da história republicana. Mais: consolidou uma “propinocracia” como método de governança. No Brasil, nenhum outro governante estabeleceu tantos recordes de aprovação.

Apesar da queda de Dilma Rousseff, todas as pesquisas recentes ainda o apontam como um candidato à Presidência bastante competitivo. Desde 2002, poucos o derrotaram em embates políticos. Agora, contudo, o adversário é outro: a Justiça. Caso o juiz Sérgio Moro — com quem Lula tem há meses seus piores pesadelos e a quem conclama seus discípulos a atacar – aceite a denúncia, o ex-presidente se tornará um dos réus da Lava Jato. O homem que nunca escondeu o desejo de terminar a vida como o maior presidente da história brasileira poderá encerrar seus dias atrás das grades.

É provável que o PT e seus satélites tentem blindar a biografia do seu messias. É possível que surjam camisetas e bandeiras em passeatas – numerosas ou não – ligando a figura de Lula à ladainha do golpe das elites. Ninguém se espantará caso também essa banda saia às ruas quando Lula já tiver cruzado a fronteira rumo à Venezuela, a Cuba ou algum país africano onde tenha atuado como lobista das empreiteiras do petrolão.

Eis uma sugestão: o procurador Deltan Dellagnol resumiu numa imagem a teia de dinheiro sujo, má fé e desrespeito à ética “no trato da coisa pública” ─ reproduzo palavras do próprio ex-presidente. No centro do diagrama aparece o nome daquele que se proclama a alma mais honesta deste país. Aos fiéis mais teimosos, basta uma resposta: quer que eu desenhe?

infolula

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