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O trem-bala de palanque continua a apitar nas curvas que ligam um cérebro baldio a uma cabeça habitada por um neurônio só

Anunciado pelo Planalto nesta segunda-feira e comentado em seu blog por Rodrigo Constantino, mais um adiamento no leilão do trem-bala comprova que só Dilma Rousseff continua acreditando no colosso concebido para provar que o Brasil Maravilha é também uma potência ferroviária. Faz sentido. A presidente é incapaz de acreditar na existência da inflação ou dos […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h38 - Publicado em 12 ago 2013, 20h42

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Anunciado pelo Planalto nesta segunda-feira e comentado em seu blog por Rodrigo Constantino, mais um adiamento no leilão do trem-bala comprova que só Dilma Rousseff continua acreditando no colosso concebido para provar que o Brasil Maravilha é também uma potência ferroviária. Faz sentido. A presidente é incapaz de acreditar na existência da inflação ou dos corruptos logo ao lado. Mas crê piamente no que não existe. Há uma semana, soube-se que Dilma tem muito respeito pelo ET de Varginha. Nada tem de surpreendente a crença no delírio megalomaníaco que desde 2006 vai e vem só nas curvas que ligam o cérebro baldio de Lula à cabeça habitada por um neurônio só.

No vídeo de 5:39, gravado em 2010, Dilma garantiu no Programa do Ratinho que, graças ao padrinho, o país enfim entrara nos trilhos. “Nós fomos, eu acho, o governo que mais importância nos últimos anos deu ao trem”, fantasiou a afilhada. Sem ficar ruborizada, disse que a Ferrovia Norte-Sul (podem chamar de Ferrovia do Sarney que ela atende) não demoraria a ligar o Maranhão ao Rio Grande do Sul. Até o fim do governo Lula, viajou a entrevistada, chegaria a Anápolis, em Goiás. E em 2014 ela própria inauguraria o trecho entre Anápolis e Estrela d´Oeste, no interior de São Paulo. No papel de ajudante de maquinista, Ratinho jogou mais lenha na fornalha. E o trem-bala?, quis saber.

Vai fazer coisas de que até Deus duvida, avisou o palavrório que, passados três anos, parece conversa de botequim na madrugada de sábado. Depois de informar que as cidades às margens da ferrovia ficariam parecidas com sucursais da Noruega, Dilma assombrou a nação com a revelação que deixara para o fim da entrevista: “Agora, cê imagina que aqui o pessoal de São Paulo pode saí, passá lá, chegá e passá o dia lá em São Paulo, tomá banho de mar e voltar”, entusiasmou-se ao descrever o que aconteceria antes que seu governo terminasse. Além de tantas outras vantagens, o trem-bala traria para São Paulo as praias do Rio.

Há pouco mais de um mês, o ministro dos Transportes, César Borges, adiou para abril de 2014 a conclusão do trecho Palmas-Anápolis, deixou para 2015 o apito inicial na estação de Estrela d´Oeste e revelou que as obras passariam a ser tocadas pela iniciativa privada. A rendição dos apóstolos do Estado leviatã escancarou a verdade tantas vezes assassinada por governantes que só pensam em urna: a Ferrovia Norte-Sul, como a Oeste-Leste e similares, é, simultaneamente, um monumento à incompetência, um buraco negro que suga bilhões de reais e um meio de transporte usado para levar dinheiro dos cofres públicos para contas no exterior movimentadas por empreiteiros amigos.

A maquinista sem juízo precisa descer imediatamente do trem fantasma de palanque e tentar assumir a chefia do governo, recomendou em 11 de julho de 2011 o post republicado na seção Vale Reprise. Passados dois anos, Dilma Rousseff se recusa a sepultar de vez a maluquice sobre trilhos e tratar com mais clemência um sistema ferroviário em frangalhos. De adiamento em adiamento, a sequência de descarrilamentos vai continuar causando estragos de bom tamanho. Não será interrompida enquanto os pagadores de impostos engolirem sem engasgos a conta de qualquer gastança.

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