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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O autor da bofetada no rosto do Brasil continua impune e acusando a vítima

Na manhã de 28 de junho de 2010, a jornalista Márcia Pache tentou entrevistar no Centro Integrado de Segurança e Cidadania de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, o vereador Lourivaldo Rodrigues de Morais, vulgo Kirrarinha. Candidato a deputado estadual pelo DEM e corrupto juramentado, Kirrarinha acabara de apresentar sua versão para mais um dos […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 12h49 - Publicado em 16 fev 2011, 21h36

Na manhã de 28 de junho de 2010, a jornalista Márcia Pache tentou entrevistar no Centro Integrado de Segurança e Cidadania de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, o vereador Lourivaldo Rodrigues de Morais, vulgo Kirrarinha. Candidato a deputado estadual pelo DEM e corrupto juramentado, Kirrarinha acabara de apresentar sua versão para mais um dos tantos casos de polícia que protagoniza. A repórter da TV Centro Oeste, vinculada ao SBT, queria saber o que havia alegado.

Só conseguiu pronunciar quatro palavras: “Vereador, o senhor fala…”. Antes que a pergunta fosse formulada, Kirrarinha interrompeu com uma bofetada no rosto de Márcia. Ninguém por perto defendeu a vítima da agressão absurda. Fora a própria repórter, ninguém nas imediações pareceu perplexo com o tapa na cara da liberdade de imprensa e do Brasil decente. Reveja as cenas espantosas:

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Nesta quarta-feira, Márcia Pache mandou a seguinte mensagem à coluna:

Augusto, estou passando para dizer que sou muito grata a todas as manifestações de solidariedade e que continuo morando em Pontes e Lacerda, no mesmo endereço. Não fugi nem me acovardei, como muitas pessoas ligadas ao ex-vereador esperavam. Muito menos recebi qualquer tipo de favorecimento, ao contrário do que alardeiam aliados de Kirrarinha. Sofro ainda. A dor que não passa não é a do tapa, mas a dor da alma. A dor é da mulher, profissional, pai e mãe de três filhos que viram e vêem a mãe deles humilhada, quando sai à rua, pela piada feita em voz alta por algum engraçadinho. Nessas horas chego a chorar. Sou forte, mas sou humana. Parece que muita gente não leva isso em conta. Como me faz bem ler os comentários dos brasileiros indignados com a atitude covarde do ex-vereador.

Hoje, Augusto, estou ainda mais indignada e ferida. Ao chegar em casa, surpreendi-me ao ver o ex-vereador, numa entrevista ao vivo para um telejornal local, tentando me difamar e atacar pessoas de bem da cidade, como se ele tivesse caráter para isso. Será possível que alguém ainda acredite nesse sujeito? Por incrível que pareça a imprensa ainda dá voz a ele. Perdoe o desabafo, estou me sentindo muito mal, continuo morando aqui em Pontes e Lacerda e mentiria se falasse que não tenho medo. Temo principalmente pela segurança dos meus filhos. Mas não corri e não vou correr.

O repórter Bruno Abbud segue ligando diariamente para Kirrarinha. Ninguém atende ao telefone. A coluna continuará no encalço do agressor. É o que o Ministério Público deveria estar fazendo há muito tempo. Kirrarinha é um caso de polícia, e como tal deve ser tratado.

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