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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Imagens em Movimento: Um olhar feminino

SYLVIO DO AMARAL ROCHA Um dos maiores desafios de um curta-metragem é estabelecer uma relação entre o espectador e a personagem. Talvez pelo tempo exíguo, talvez pelo caráter experimental ou ainda por ser, na maioria das vezes, a forma mais comum de se aprender a linguagem cinematográfica, essa identificação – que quase todos os filmes […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 04h09 - Publicado em 29 mar 2014, 21h19

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SYLVIO DO AMARAL ROCHA

Um dos maiores desafios de um curta-metragem é estabelecer uma relação entre o espectador e a personagem. Talvez pelo tempo exíguo, talvez pelo caráter experimental ou ainda por ser, na maioria das vezes, a forma mais comum de se aprender a linguagem cinematográfica, essa identificação – que quase todos os filmes narrativos perseguem – muitas vezes não acontece. Não existe uma fórmula mágica para fazer com que o público se enxergue na tela e se torne parte da história. Cinema é olho e olhar: olhar do diretor e da sua equipe, e olho do ator, que traz a plateia para dentro da trama. É com esse olho que assistimos ao filme e é através dele que mergulhamos na narrativa.

Carolina Zinskind, além de atuar muito bem, tem um olho assim. Seu trabalho é delicado (como também é o dos demais atores de Espalhadas pelo Ar, de Vera Egito). O filme transborda feminilidade tanto na história – sobre a relação de amizade entre uma adolescente de 14 anos e uma mulher de 30 – quanto no olhar: desde a direção até o tratamento do som (que permite identificar a flauta de um afiador de facas ao fundo e as risadas vindas do corredor). A mesma feminidade sublinha a trilha assinada por Luiz Macedo, que aparece nos momentos certos. Em seu filme de estreia, um trabalho de conclusão do curso de cinema da ECA-USP filmado em 2007, Vera Egito consegue realizar algo marcante.

“Com quantos anos você transou a primeira vez? “. A pergunta que todo mundo fez e ouviu é responsável por unir duas vidas em fase de mutação. A menina e a mulher selam a amizade fumando um cigarro escondidas na escada do prédio e confirmam a influência que teve uma vida sobre a outra. Um cinema sereno, com planos bem decupados e que se dispensa de explicar tudo. Perfeito? Não. Alguns defeitos aparecem. Mas que vida não é assim?

[vimeo 20327789 w=480 h=295]

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