Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Editorial do Estadão: Mais uma vitória do atraso

Parente foi responsável pela notável recuperação da Petrobras, que havia sido destroçada pelos governos lulopetistas

O Brasil sofreu uma baixa muito importante na guerra que as forças do atraso travam contra o País. A demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras, nas circunstâncias em que se deu, não é apenas a perda de um valoroso colaborador do governo, mas principalmente representa o triunfo dos que parasitam o Estado e sabotam todos os esforços daqueles que trabalham duro para impor alguma racionalidade à administração dos escassos recursos públicos. Fossem as coisas diferentes, o governo não aceitaria a saída de Parente, cuja retidão moral e capacidade profissional não serão encontradas em quase nenhuma sala do entorno da Presidência da República.

Parente foi responsável pela notável recuperação da Petrobras, que havia sido destroçada pelos governos lulopetistas. Naquela trevosa época, recorde-se, a estatal foi entregue à mais desbragada rapinagem do PT e de seus cúmplices, resultando no famigerado petrolão. Mas engana-se quem pensa que esse foi o pior legado da dupla Lula da Silva-Dilma Rousseff no que diz respeito à administração da Petrobras.

A estatal transformou-se na petrolífera mais endividada do mundo, à beira do colapso, quando passou a funcionar como máquina de dinheiro para financiar o populismo do PT, que se manifestou tanto na forma de subsídio para os combustíveis como na participação da Petrobras em empreendimentos controvertidos e mal planejados. O pressuposto era que o papel da Petrobras – “estratégico”, como não se cansam de dizer os empulhadores – era servir como motor do desenvolvimento nacional. O tal desenvolvimento não veio – em lugar disso, o que essa política doidivanas gerou foi a ruína da maior empresa do País.

Diante desse quadro, tornou-se óbvio que a única maneira de sanear a Petrobras era impedir que os interesses políticos continuassem a ditar os rumos de sua administração – e não foi por outro motivo que Parente exigiu total autonomia para aceitar o convite do presidente Michel Temer para assumir a Petrobras, em junho de 2016, logo após o impeachment de Dilma Rousseff.

Munido dessa liberdade de ação, Pedro Parente pôde implementar uma administração austera e dinâmica, que em pouco tempo reequilibrou as finanças da empresa, por meio da venda de ativos e, principalmente, de uma política de preços que dispensava os subsídios, por respeitar as variações de mercado.

A greve dos caminhoneiros, contudo, colocou essa política na berlinda, pois a principal reivindicação do movimento era o restabelecimento do subsídio. Diante da hesitação do Palácio do Planalto, que tremeu em razão das consequências de uma greve que nem conseguiu prever nem soube conter, Parente ainda fez o que pôde para que o governo ganhasse tempo para negociar um acordo – que, ao final, se revelou uma verdadeira capitulação ao movimento paredista.

Em sua carta de demissão, Parente dá a entender que a decisão do governo de restabelecer o subsídio, sem dar suporte firme para manter a política de preços por ele implementada, foi o fator preponderante para sua saída. “Diante desse quadro, fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva”, escreveu ele.

Ao aceitar a demissão de Parente, o presidente Michel Temer também deu uma vitória aos petroleiros que haviam deflagrado uma greve política, na qual exigiam justamente a saída do executivo. E nem é preciso dizer que a decisão foi celebrada por todos os que trabalham incansavelmente em favor do subdesenvolvimento travestido de “justiça social”. “Já vai tarde”, disse Guilherme Boulos, candidato a presidente pelo PSOL. “Era o que a sociedade esperava”, declarou o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). “Finalmente!”, tuitou o PT.

Enquanto o governo perde quadros de imenso valor como Pedro Parente – e, antes dele, Maria Silvia Bastos Marques, que deixou o BNDES depois que o governo lhe sonegou apoio contra os que sabotavam sua política de reorganização do banco –, personagens notórios mais por escândalos que por capacidade administrativa continuam prestigiados no Palácio do Planalto. Nada disso augura um bom futuro nem para o governo nem para o País.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

  1. Juca Leiteiro

    Elevar demasiadamente preços resultando em paralisação geral e sem aumentar produção é manobra estranha aos bons costumes.

    Curtir

  2. Juca Leiteiro

    Parasitas do meio de transporte contratados faturam alto com a exigência de só os zeros poderem transitar internamente, na dona do pré-sal.

    Curtir

  3. Juca Leiteiro

    Impor aumento dos preços foi uma pegadinha que deu errado.

    Curtir

  4. Juca Leiteiro

    A falácia eleitoral seguida da roubalheira desmoraliza gravemente a gestão do vice.

    Curtir

  5. Juca Leiteiro

    Quem mandou ele se unir à conselheira da hoje quase finada petroleira, né?

    Curtir

  6. Paulo Bandarra

    Greve por tabelamento de preço do diesel e do frete já foi um atraso. Apoiado por 87% dos consultados.

    Curtir

  7. Paulo Bandarra

    Este será o povo que vai eleger o futuro presidente.

    Curtir