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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Chegou a CNN: uma primeira impressão

A CNN Brasil veio para ficar e ganhar fatias de audiência

Por Alberto Carlos Almeida - 17 mar 2020, 11h56

CNN Brasil estreou no domingo e estreou muito bem. Com um número enorme de jornalistas na tela e na retaguarda, com jornalismo de ótima qualidade e ritmo bastante dinâmico, o novo canal chegou com ar de profissionalismo, equilíbrio e gana para disputar audiência.

Com jornalistas muito conhecidos do grande público, por virem da Globo e de outras emissoras e outros nem tão conhecidos por serem oriundos de jornais e rádios, mas geralmente conhecidos e reconhecidos por seu trabalho nas mais diversas áreas, a impressão que passa é de que não houve dificuldades orçamentárias quando se tratou de contratar as caras do novo jornalismo na TV. O importante é que, além dos medalhões, aqueles bem conhecidos, há ótimos jornalistas que se somaram e cuja presença também sinaliza para um bom trabalho.

Além do dinamismo do jornalismo propriamente dito, há boas atrações  como, por exemplo, um “Grande Debate”, fórmula importada dos Estados Unidos, onde um jovem jornalista vindo da Jovem Pan, lavajatista assumido e defensor de Bolsonaro enfrenta uma também jovem advogada chamada Gabriela Prioli, que tem posições críticas à Lava Jato e ao governo Bolsonaro, num debate onde a regra principal é o direito de falar abertamente o que pensa. Se compararmos, há uma diferença abissal, com os “debates” promovidos na Globonews, onde se coloca três ou quatro debatedores com posições praticamente iguais à da mediadora ou da própria emissora.

Se continuar assim, vai deixar a Globonews muito atrás. Nessa toada, podem deslocar um pouco, mesmo as redes abertas, como Record, SBT e até Globo que, por sinal, anunciou grandes mudanças na sua grade. O setor de televisão já tem dificuldades e uma acirrada competição, mas há grandes chances de essa concorrência ficar ainda mais acirrada com a chegada do novo player.

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No período entre o anuncio da vinda da CNN e sua estréia houve muitas informações, não confirmadas, dizendo que a empresa seria ligada ao governo Bolsonaro ou que teria o Bispo Edir Macedo como sócio. Não tenho como dizer se isso tem alguma verdade, mas pelo que vi, a CNN vai agradar. E para o grande público, o que interessa não é quem está por trás do empreendimento, mas o conteúdo que é exibido. Bom jornalismo, com equilíbrio, visão crítica, informação de qualidade compões a fórmula que pode agradar a um segmento enorme do público.

Finalmente, a nova rede leva o nome da gigante americana CNN, que tem uma marca e um padrão, de conteúdo e estético e até onde sei, zela por ele. Não creio que, mesmo sendo conservadora, vá se aliar ao governo ou se posicionar exclusivamente contra ele. Não será Democrata como nos EUA porque isto não existe aqui. A sinalização dada nos primeiros dias é de equilíbrio.

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