Clique e assine a partir de 9,90/mês
Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Bolsonaro provando de seu próprio veneno

O presidente não pode reclamar do orçamento impositivo, ele e seus filhos sempre defenderam esta bandeira

Por Alberto Carlos Almeida - Atualizado em 26 fev 2020, 21h35 - Publicado em 26 fev 2020, 21h00

Essa história de Orçamento Impositivo foi ideia de Eduardo Cunha, usada realmente como instrumento de pressão contra o Executivo. Não era Orçamento Impositivo de fato, só tornou obrigatórias as emendas individuais dos parlamentares, que adquiriram um poder que nunca antes tiveram. A soma dessas emendas gira em torno de R$ 10 bilhões.

Os Bolsonaros, tanto Jair quanto Eduardo, que já era deputado federal, apoiaram fortemente essa articulação de Eduardo Cunha e votaram na PEC que tornou as emendas impositivas.

Agora, já no governo Bolsonaro, Eduardo Cunha cassado e preso, o Congresso aprovou PEC tornando obrigatórias todas as emendas parlamentares. Além das individuais, aquelas de Comissões, as de bancadas estaduais ou regionais e até as feitas pelo relator do Orçamento. O total dessas emendas gira em torno de R$ 45 bilhões.

Não precisa ser muito bom em aritmética para perceber que essa conta não fecha. O valor das emendas parlamentares é muito maior do que os valores que qualquer ministério tem para realizar investimentos.

Continua após a publicidade

Na verdade, o orçamento já é quase inexequível há muito tempo. Com essa obrigatoriedade de executar as emendas parlamentares, ficou totalmente não administrável.

Mas então Bolsonaro tem razão em reclamar do Congresso? O general Heleno pode falar como falou, chamando os parlamentares de chantagistas?

Em outras circunstâncias, até poderiam reclamar. Mas se lembrarmos que Bolsonaro votou a favor de tornar obrigatórias as emendas individuais, quando ainda deputado, e que Eduardo Bolsonaro votou nessa PEC das emendas individuais junto com o pai e, depois, já no governo Bolsonaro, não apenas votou a favor de tornar TODAS as emendas obrigatórias, como negociou, em nome do governo a aprovação, como ele mesmo divulgou no Twitter, então o capitão não tem razão para reclamar. Flávio Bolsonaro não votou a PEC das emendas individuais, porque era deputado estadual, mas no ano passado, já era senador e votou a favor da nova PEC.

Então, o general Heleno está reclamando de que?

Publicidade