Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Sob risco de sumir do mapa, Maldivas erguem cidade flutuante para 20 mil

Erguida por empresa da Holanda, nova cidade flutuante fica nos arredores da capital, Malé

Por Ernesto Neves
Atualizado em 26 set 2023, 12h56 - Publicado em 26 set 2023, 10h29

Conhecida pelas praias paradisíacas e hoteis de altíssimo luxo, o arquipélago das Maldivas, no Oceâno Índico, iniciou uma corrida contra os efeitos das mudanças climáticas.

O governo do pequeno país iniciou a construção de uma cidade flutuante para 20.000 moradores, que deverá ser completada até 2027.

As construções flutuantes têm como objetivo atender à população desalojada por enchentes provocadas por chuvas cada vez mais intensas e pela elevação do nível das marés, duas consequências das mudanças climáticas.

O governo das Maldivas e a incorporadora holandesa Dutch Docklands afirmam que a cidade contará com infraestrutura completa, incluindo residências, avenidas comerciais, escolas, parques e restaurantes.

Projeção de como ficará a cidade flutuante das Maldivas
Projeção de como ficará a cidade flutuante das Maldivas (Divulgação/Divulgação)

Ainda de acordo com a empresa, toda a cidade será capaz de se adaptar às mudanças nas marés, ficando portanto protegida de alagamentos.

A incorporadora afirma que a estrutura está sendo montada como um jogo de Lego, encaixando-se peças que são pré-moldadas.

Continua após a publicidade

A construção de toda a cidade deverá demorar cerca de cinco anos. E espera-se que os primeiros residentes se mudem para lá já em 2024.

As Maldivas são um arquipélago com mais de mil ilhas, mas cerca de 80% das terras estão localizadas abaixo do nível do mar.

Para piorar, seu ponto mais alto está apenas 2 metros acima do nível do mar, o que coloca praticamente todo o país em grande risco de enchente quando a maré sobe.

A nova cidade flutuante fica a 10 minutos da capital, Malé, uma cidade com 200.000 habitantes com apenas oito quilômetros quadrados, e descrita por cientistas como uma das regiões mais vulneráveis do planeta.

Caso a previsão de especialistas esteja correta, se mantivermos o atual ritmo de aquecimento do globo o nível dos oceanos pode subir um metro até 2100, o que riscaria as Maldivas do mapa.

Continua após a publicidade
Projeção da cidade flutuante em construção nas Maldivas: projeto deve ser entregue em 2027
Projeção da cidade flutuante em construção nas Maldivas: projeto deve ser entregue em 2027 (Divulgação/Divulgação)

Engenheiro responsável pelo projeto, Koen Olthui, da Holanda, vem se notabilizando por projetos flutuantes nos últimos 20 anos.

“Durante anos pensavámos que a solução para a elevação do nível do mar seria a construção de diques e canais”, afirma.

“Mas as consequências das alterações climáticas deixaram claro que esta batalha já não pode ser vencida. Precisamos urgentemente de repensar as coisas”, disse.

Olthui defende que será necessário adaptar as cidades ao fluxo das águas.

“A velocidade com que o aquecimento global progrede e o crescente nível das águas surpreende até mesmo cientistas. Isso torna difícil prever a altura de um novo dique”, diz.

Continua após a publicidade

“Defendo que é melhor mudar totalmente de rumo e flutuar na água. Afinal, uma cidade flutuante não pode ser inundada”, completa.

Antes do início das obras, os moradores do arquipélago opinaram sobre as características que o empreendimento à beira-mar deveria ser.

Assim, o projeto copia as casas coloridas, uma tradição entre famílias de pescadores típica da nação insular.

Todos os edifícios estão conectados por plataformas flutuantes interligadas. E parques e praças serão instalados nos pontos de conexão.

Essas estruturas ficarão ancoradas ao fundo do mar, para garantir que a cidade tenha estabilidade e possa elevar-se junto com as marés em até dois metros e meio.

Continua após a publicidade

As estruturas pré-fabricadas de concreto que compõe o projeto estão sendo feitas em países próximos, como a Índia, a China e o Sri Lanka, e trazidos até as Maldivas de navio. No local, essas peças são encaixadas como num quebra-cabeça.

Segundo a empresa holandesa, o concreto vem passando por um tratamento especial para que resista às intempéries e aos efeitos do sal sem qualquer manutenção por até 100 anos.

Caso sejam realizadas inspeções regulares, porém, as estruturas poderiam durar até 250 anos.

Cidade flutuante das Maldivas vista de cima
Cidade flutuante das Maldivas vista de cima (Getty/Getty Images)

Críticos afirmam que projetos flutuantes custam caro e que a maioria das residências são destinadas aos endinheirados, deixando os mais vulneráveis para trás.

No caso do projeto das Maldivas, afirma o engenheiro, o projeto terá custos diluídos graças a sua enorme escala.

Continua após a publicidade

“O que está sendo construído lá não é um projeto para os ricos. Serve para que pessoas comuns possam alugar ou comprar apartamentos, sejam taxistas, professores, famílias ou solteiros”, defende ele.

Cada unidade residêncial deverá custar 150.000 e 250.000 dólares, preço considerado exorbitante para os padrões da população das Maldivas.

No país, a média salarial anual não passa de 11.000 dólares.

Malé, capital das Maldivas, enfrenta alagamentos constantes: ponto mais alto do arquipélago está a apenas 2 metros acima do nível do mar
Malé, capital das Maldivas, enfrenta alagamentos constantes: ponto mais alto do arquipélago está a apenas 2 metros acima do nível do mar (Getty/Getty Images)
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.