Queimadas diminuíram 36% em janeiro
Levantamento do MapBiomas mostra que, apesar da queda, fogo atingiu a área equivamente a quatro cidades de São Paulo durante as chuvas
Uma boa e uma má notícia sobre o meio ambiente. Dados inéditos da plataforma MapBiomas, por meio do Monitor do Fogo, mostram que em janeiro houve redução de área queimada no Brasil de 36% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar de não ser o mês de maior incidência de fogo, janeiro antecipa a tendência para o resto do ano e sinaliza mudanças estruturais, entre elas, a redução do estoque de regiões degradadas — pois se transformam na área mais suscetível às queimadas durante os picos da seca, entre julho e outubro.Quando os dados são comparados com 2024, a redução sobe para 58%. A notícia é um bom sinal porque significa maior fiscalização, diminui as emissões de CO2 e ainda poupa a biodiversidade de maior estresse justamente na época de maior reprodução.
A má notícia é que o Brasil queimou mesmo durante as chuvas uma área equivalente a quase três vezes o território da cidade de São Paulo. A maior parte da área queimada (66,8%) atingiu vegetação nativa. As formações campestres lideram o ranking, concentrando 35% do total devastado. “São áreas naturalmente mais abertas e com forte sazonalidade nesse período do ano”, diz Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo. Ainda assim, quando o fogo atinge vegetação nativa, especialmente formações florestais, os impactos tendem a ser mais severos do que em áreas já convertidas para pasto ou agricultura, porque afeta diretamente habitats naturais, a biodiversidade, o funcionamento dos ecossistemas e estoques de carbono.
No front agropecuário, as pastagens aparecem como a principal classe afetada, com 26,3% da área queimada no mês. A fotografia revela um padrão conhecido: o avanço do fogo sobre ecossistemas naturais e áreas abertas, muitas vezes associado à limpeza de terreno e à expansão da fronteira agrícola.
A Amazônia continua sendo o bioma mais atingido, mesmo com a redução de 46% em relação a janeiro do ano passado. Foram 337,2 mil hectares queimados — nove vezes mais do que o Pantanal, segundo colocado, com 38 mil hectares. Três estados amazônicos concentram 76% da devastação registrada no país: Roraima (156,9 mil hectares), Maranhão (109 mil) e Pará (67,9 mil). Em Roraima, municípios como Pacaraima, Normandia e Boa Vista lideram as estatísticas. A explicação passa pela geografia: único estado totalmente acima da Linha do Equador, Roraima vive seu “verão” entre dezembro e abril — período seco que transforma lavrados e áreas abertas em combustível pronto. Enquanto o restante do país enfrenta chuvas, o extremo norte arde.





