Pela primeira vez, o Brasil queimou mais florestas nativas do que pastagens
Bioma perdeu extensão equivalente a área do Líbano só no mês de dezembro, mês de incêndios recordes no local

Os brasileiros não vão esquecer tão cedo dos incêndios devastadores que arrasaram os principais biomas do país no ano passado. As chamas resistentes, que muitas vezes pareciam invencíveis, deixaram rastro de tristeza e de desesperança. No Pantanal, em um refúgio silvestre, os corpos de três filhotes de onça-pintada, que não conseguiram escapar das chamas, mostraram o futuro condenado. Símbolo do Pantanal, os felinos são uma das vítimas do descaso das nações, que continuam a promover o aquecimento global e a crise climática. Na Amazônia, as florestas arderam por tanto tempo, que o pulmão do mundo virou uma chaminé fumegante, que inundou o céu de fuligem de quase todo o território nacional. Somados todos os incêndios o Brasil emitiu 183 milhões de toneladas de carbono. Agora, veio a conta feita na ponto do lápis: entre janeiro e dezembro, o país queimou o equivalente ao território da Itália.
A análise do prejuízo realizado pelo Monitor do Fogo, do MapBiomas, mostra que o ano passado, a Amazônia foi a região mais afetada pelos incêndios. A área queimada corresponde a quase 60% do total consumido pelo fogo em todo país. Trata-se da maior extensão devastada pelo fogo dos últimos seis anos. Diferente do que acontece no Pantanal, os incêndios da Amazônia não são um fenômeno natural do local, mas eventos criminosos. Dessa vez, pela primeira vez foram consumidas mais florestas do que pastagens. “Essa mudança de padrão de queimadas é alarmante, pois as áreas de florestas atingidas ficam mais suscetíveis a novos incêndios”, diz Felipe Martenexen, da equipe MapBiomas Fogo.
A incidência recorde de queimadas foi influenciada pelo baixo regime de chuvas, que no ano passado, ficou abaixo da média histórica, o que favoreceu ainda mais a propagação do fogo. Destaque para dezembro, quando foram consumidos 1,1 milhão de hectares, o equivalente a um Líbano, e 3% do total queimado no solo brasileiro durante o ano. Outra má notícia é o fato de 68% do que virou cinzas ser mata nativa.
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