Fuligem de incêndios criminosos na Amazônia encobre céu de Santarém
Sede da próxima COP, o estado do Pará concentrou o maior número de focos de queimadas: 53 mil durante o ano

Fazem semanas que a qualidade do ar está comprometida em Santarém, no Pará. Mas nesta quarta-feira, 4, o céu ficou totalmente encoberto pela fuligem das queimadas. Localizado na divisa com o estado da Amazônia, a região ainda enfrenta seca extrema, falta de água potável e registro de mortandade de peixes em comunidades tradicionais do Rio Tapajós. Estado escolhido para receber a COP do ano que vem, o Pará foi campeão de queimadas durante o ano, concentrando 54 mil focos de incêndios de acordo com os registros do Inpe. Apesar de o fogo ter dado trégua em várias regiões do país, ali, ele persiste. E segundo o Ibama, são incêndios criminosos.
O órgão identificou graves irregularidade ambientais, inclusive na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão e a Gleba Mojuí dos Campos. Nessa região foi identificada a construção irregular de um empreendimento imobiliário residencial. O empreendimento tinha uma licença ambiental irregular e foi multado em R$ 140 mil e a obra interditada. Também há denúncias de incêndios criminosos no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, onde uma pessoa ateou fogo em terras que, também, foram adquiridas de forma ilegal.
Leia:
Queimadas devastaram o equivalente a um estado de Roraima em vegetação nativa no Brasil
Para enfrentar os impactos das queimadas, o Ministério das Cidades anunciou a antecipação de benefícios sociais e o envio de recursos humanitários para atender os moradores de Santarém e Marajó, entre outros municípios do sul e nordeste do estado. Caminhões pipas, água potável e auxílio aos pescadores também foram disponibilizados para a população. O reforço no combate aos incêndios florestais também faz parte das iniciativas
O governador Helder Barbalho anunciou o reforço na infraestrutura no combate às chamas. Há quatro dias, o Corpo de Bombeiros de Santarém recebeu oito viaturas novas, além de mais 40 homens, aumentando o efetivo para 144 bombeiros. O governado ainda pediu ajuda da população para não usar o forro como ferramenta de limpeza de terrenos. O manejo do fogo está proibido no estado.