Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Agência europeia alerta: poluição desencadeia doenças mentais

Revisão de estudos, realizada pela agência do meio ambiente, no ano passado, mostra o peso dos poluentes e do ruído no desenvolvimentos de distúrbios

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 21h27 • Atualizado em 3 mar 2026, 22h35
  • Problemas cardiovasculares, respiratórios e o câncer são algumas das doenças que a literatura médica já relaciona com a poluição. Uma revisão da literatura publicada pela Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA) alerta que a saúde mental também está em risco quando a população é exposta ao ar contaminado. Depressão, ansiedade e outros distúrbios psicológicos também estão relacionados aos poluentes do ar. O levantamento realizado no ano passado originou o relatório Pollution and mental health: current scientific evidence. Os especialistas que colaboraram com a revisão enfatizam que a poluição não atua isoladamente, mas interage com fatores genéticos, sociais e econômicos que influenciam a saúde mental. No entanto, estudos analisados pela EEA mostram que a poluição atmosférica — em especial partículas finas (PM2,5) e dióxido de nitrogênio (NO₂) — está associada a uma maior prevalência de sintomas depressivos e a potenciais alterações estruturais e funcionais no cérebro, especialmente quando a exposição ocorre durante fases críticas do desenvolvimento, como gestação e infância.

    A poluição sonora, predominantemente originada pelo tráfego rodoviário, ferroviário e aéreo, também aparece no relatório como um fator que pode aumentar o risco de depressão, ansiedade e outros problemas comportamentais, particularmente em crianças. Pesquisas apontam que aumentos nos níveis de ruído estão correlacionados com maior incidência de suicídio e com sintomas de ansiedade, reforçando a necessidade de encarar o ruído urbano como um contaminante ambiental relevante. A EEA observa que a prevalência de transtornos mentais na Europa cresceu significativamente nas últimas décadas. Em 2023, esses transtornos representaram o sexto maior peso de doença na União Europeia e a oitava causa mais comum de morte, refletindo tanto o aumento dos diagnósticos quanto a complexidade de fatores que afetam o bem-estar psicológico da população.

    O estudo também destaca que exposição a substâncias químicas, como chumbo, fumaça de tabaco passiva e bisfenol A, pode estar associada a riscos elevados de depressão e ansiedade, especialmente quando essa exposição ocorre na infância ou pré-natal. Entre as oportunidades de ação, a agência defende a plena implementação da legislação de poluição da União Europeia, incluindo o Plano de Ação “Poluição Zero”, que pode reduzir os níveis gerais de poluentes e, consequentemente, aliviar alguns dos efeitos adversos sobre a saúde mental. A EEA ressalta ainda que soluções baseadas na natureza — como o aumento do acesso a espaços verdes e azuis e atividades ao ar livre — podem contribuir positivamente para o bem-estar psicológico, reduzindo estresse, ansiedade e sintomas depressivos em amplas parcelas da população.

    A convergência de fatores ambientais e de saúde mental reforça a necessidade de uma abordagem abrangente que integre políticas de qualidade do ar, controle de ruído e redução de exposição química, alinhadas a ações de promoção de bem-estar psicológico. As evidências sugerem que, além de proteger o corpo, enfrentar a poluição pode ser uma estratégia eficaz para preservar a mente humana.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).