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‘Estamos evoluindo’, diz treinador de seleção no último lugar no ranking da Fifa

Os sonhos e desafios do italiano Roberto Cevoli, à frente do time da República de San Marino

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2026, 08h00 •
  • Como é comandar a seleção que ocupa a última posição no ranking da Fifa, a de número 210? Iniciamos o projeto há dois anos sabendo das limitações: San Marino tem apenas 30 000 habitantes. É difícil encontrar jogadores de alta qualidade. No entanto, investimos na base e os resultados já aparecem. Em 2024 alcançamos o feito histórico de vencer nosso grupo na Liga das Nações da Uefa, quebrando um jejum de vitórias oficiais que durava dez anos, ao ganhar por 3 a 1 de Liechtenstein.

    O projeto a que o senhor se refere, como funciona? Firmamos uma parceria com o Pietracuta, um time amador da Itália, vizinho a San Marino. Conseguimos colocar treze ou catorze atletas da seleção nessa equipe, que é comandada por mim e minha comissão técnica. Isso permite que eu treine os jogadores diariamente, algo impossível no calendário normal de seleções. O obje­tivo é aumentar o tempo de jogo e a maturidade dos atletas, e eles têm evoluído muito sob esse regime.

    Como trabalhar o psicológico de atletas que convivem com o estigma de serem “os últimos da fila”? A prioridade foi resgatar o orgulho de representar o país. Eu disse a eles que, mesmo sendo um Estado pequeno, devem respeitar a camisa e ter coragem. Antes, eles pareciam habituados a perder. Hoje, entenderam que podem competir contra qualquer um. Mesmo contra seleções potentes, tentamos propor nosso jogo.

    Qual sua visão sobre o novo formato do Mundial com 48 seleções e o momento atual da Itália? Acredito que o novo formato seja justo, pois garante a presença das melhores equipes e evita que potências fiquem de fora. Será um torneio fisicamente exigente.

    E a Itália? Espero que passe na repescagem de março. Com o comando de Gattuso, creio que encontrou o equilíbrio necessário. Nós, italianos, não podemos nos permitir ficar de fora de um terceiro Mundial seguido. Vejo potencial para uma grande Copa do Mundo.

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    O senhor já foi treinado por Carlo Ancelotti. Como avalia a presença dele para a Seleção Brasileira? O Brasil não poderia estar em melhores mãos. Fui jogador dele no Reggiana e o que o diferencia é a gestão de recursos humanos. Em uma seleção, onde há pouco tempo para treinamento tático, a gestão do grupo é a maior virtude. Carlo era “um de nós”, uma pessoa honesta que sabia ouvir a todos. Tento imitá-lo no meu trabalho, pois acredito que esse é o jeito certo de ser treinador. Ele será o diferencial para o Brasil.

    O futebol mudou muito desde a sua época de jogador, tornou-se global. Hoje atletas jogam na Ásia, nos Estados Unidos, em toda parte. Como vê essa mudança? É verdade. Quando eu jogava, as chances de ir para o exterior eram limitadíssimas, embora eu tivesse vontade de ter essa experiência. Hoje o futebol é global. Qualquer jogador que vá bem pode ir para qualquer lugar, o que é uma grande oportunidade. Porém, é preciso estar pronto, pois a adaptação em ligas como a inglesa pode ser difícil para italianos. Mas a qualidade sempre aparece. O futebol mudou e precisamos nos adaptar.

    Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980

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