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Poderes do ‘superministro’ de Lula geram atritos e divergências sobre campanha eleitoral

O chefe da Secretaria de Comunicação do Planalto está autorizado a interferir em praticamente tudo — e ele tem feito isso

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jan 2026, 08h00 • Atualizado em 24 jan 2026, 09h11
  • O chefe da Casa Civil costuma ser o mais importante, influente e prestigiado auxiliar do presidente da República, o único que tradicionalmente tem carta branca para dar ordens aos colegas do governo e cobrar resultados, nem sempre de maneira amigável, em nome do mandatário. No governo Lula, Rui Costa cumpre esse papel, em sintonia completa com o presidente. A novidade é que ele não é mais o único superministro. Mesmo sem funções gerenciais muito amplas e ocupando um posto de visibilidade e raio de ação bem mais limitados, Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom), é hoje dono de poderes excepcionais. Seu gabinete, localizado no segundo andar do Palácio do Planalto, sugere programas, planeja estratégias políticas, emana diretrizes para os demais ministros e até recomenda demissões. Qualquer anúncio, ato ou declaração com potencial de gerar algum tipo de desdobramento, positivo ou negativo, para o governo ou para a imagem do presidente passa pelo crivo do publicitário. Ou seja: Sidônio está autorizado a interferir em praticamente tudo — e ele tem feito isso.

    POLÊMICA - Imagens que viralizaram nas redes: crítica por trazer ao debate o indesejado tema do etarismo
    POLÊMICA - Imagens que viralizaram nas redes: crítica por trazer ao debate o indesejado tema do etarismo (Redes Sociais; Ricardo Stuckert/.)

    Na semana passada, por exemplo, o publicitário não gostou de ver uma imagem do presidente na Restinga da Marambaia (RJ), onde ele passou o réveillon, vestindo uma sunga e exibindo um corpo musculoso. Compartilhada pelo partido e pelos petistas nas redes sociais, a foto era acompanhada da seguinte legenda: “O homem é forte e o projeto longo. Vem tetra!”. Fora o mau gosto da mensagem, irritou o publicitário o fato de a imagem, manipulada por inteligência artificial, ter jogado luz sobre um tema que ele pretende manter distante da campanha: a idade do presidente. Lula tem 80 anos, vai completar 81 em outubro e, se reeleito, terá 85 no fim de um eventual quarto mandato. Na avaliação do ministro, é importante deixar claro que o presidente está bem de saúde, mantém a disposição e o vigor físico, mas a montagem acabou impulsionando o debate sobre o etarismo ao invés de evitá-lo, além de ter sido interpretada fora da bolha petista como zombaria diante do estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    CARTA BRANCA - Lula: governo e campanha eleitoral no mesmo pacote
    CARTA BRANCA - Lula: governo e campanha eleitoral no mesmo pacote (Ricardo Stuckert/PR)

    O segundo superministro do governo é produto da fusão de duas funções distintas que se juntaram na mesma pessoa. Nas gestões anteriores, Lula tinha um secretário de Comunicação responsável pela divulgação das ações do governo e, desvinculado da estrutura oficial, um profissional de marketing encarregado de transformar essas ações em popularidade e votos. Desde janeiro do ano passado, quando aceitou o cargo, Sidônio executa ambas as tarefas. Como chefe da Secom, coordena políticas para levar as realizações do governo ao conhecimento da população. Como marqueteiro, elabora estratégias para que esse esforço produza resultados nas urnas. “Eu encontrei um câncer que já estava em metástase”, disse ele assim que tomou posse a diferentes interlocutores sobre as frequentes crises de imagem do governo. Logo de chegada, demitiu a então secretária de Estratégias e Redes, aliada da primeira-dama Janja da Silva, e deu orientações expressas para ministérios e autarquias: além de vender o peixe diretamente no celular das pessoas, dali em diante tudo passaria pelo filtro da Secom. A ordem refletia uma reclamação frequente de Lula: a de que o governo era sempre pego no contrapé e tinha de viver apagando incêndios nas redes sociais.

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    ESTRANHAMENTO - Haddad e Otávio (ao fundo): atritos com o ministro da Fazenda e a equipe de comunicação do PT
    ESTRANHAMENTO - Haddad e Otávio (ao fundo): atritos com o ministro da Fazenda e a equipe de comunicação do PT (Eduardo Knapp/Folhapress/.)

    Com carta branca para agir, Sidônio atuou no escândalo das aposentadorias, particularmente na demissão do ministro da Previdência Carlos Lupi, pilotou as declarações do então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski sobre a operação policial que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro e já se estranhou com Fernando Haddad em pelo menos duas situações. A primeira, dias depois de assumir o cargo, após o Ministério da Fazenda anunciar novas regras para fiscalizar movimentações financeiras. Um vídeo insinuando que as transações via Pix poderiam ser taxadas viralizou nas redes sociais, provocando uma avalanche de críticas ao governo. Em uma reunião no Palácio do Planalto, Lula ouviu de Sidônio que revogar as regras era a forma mais rápida de debelar a crise. Haddad, por sua vez, ponderava que o recuo seria interpretado como uma demonstração de fragilidade. O presidente optou por revogar as medidas. O segundo caso, ocorrido meses depois, teve origem quando o Congresso derrubou um decreto que alterava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Sentindo-se traído pelos parlamentares com quem havia negociado a aprovação do projeto, Haddad decidiu reagir, mas não buscou antes a orientação da Secom, como combinado. O ministro preferiu recorrer à comunicação do PT. Otávio Antunes, marqueteiro da legenda, criou peças mostrando os pobres carregando nas costas o peso dos impostos, enquanto os ricos seriam protegidos pelos parlamentares. A peça, que também viralizou, acabou dando origem a outras bem mais agressivas contra deputados e senadores.

    ESCÂNDALO - Carlos Lupi: crise do INSS acabou contornada com a demissão do titular da Previdência
    ESCÂNDALO - Carlos Lupi: crise do INSS acabou contornada com a demissão do titular da Previdência (Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress/.)
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    Além de reclamar por não ter sido consultado, Sidônio temia que a provocação criasse problemas para o governo no Congresso. Porém, diante do sucesso da campanha nas redes, acabou por avalizá-la. O episódio acirrou a disputa pelo protagonismo entre as equipes do governo e do partido. Para enfrentar a oposição nas redes sociais, o Planalto passou a adotar um tom menos formal em suas campanhas publicitárias. O PT também ampliou a atuação no universo digital, produzindo material com uso de inteligência artificial. O governo, que sempre esteve em desvantagem nos embates nas redes sociais, conseguiu equilibrar a disputa em determinados momentos. Otávio Augusto creditou ao staff petista a melhora nos índices de aprovação do presidente. Sidônio, por sua vez, atribuiu o resultado ao bom trabalho de sua equipe.

    PASSADO - O publicitário João Santana com Lula e Dilma: na era dos marqueteiros estrelados
    PASSADO - O publicitário João Santana com Lula e Dilma: na era dos marqueteiros estrelados (Roberto Stuckert/.)

    Os petistas já recorreram no passado aos serviços de marqueteiros célebres, sendo o maior exemplo disso a era do publicitário e jornalista João Santana. Ele repaginou totalmente as imagens de Lula e Dilma e deu as cartas nas campanhas presidenciais da dupla. Sidônio é mais discreto do que as estrelas do passado, mas acumula muito mais poder. Ele tinha a intenção de se desligar do governo no começo deste ano para cuidar integralmente do projeto eleitoral de Lula em 2026. Tudo indica que os planos mudaram. Segundo informações que circularam na quarta 21, teria sido indicado por ele o marqueteiro responsável pela campanha. A exemplo de Sidônio, Raul Rabelo, o profissional escolhido, é publicitário e baiano. Procurado por VEJA, o chefe da Secom não se pronunciou a respeito do caso. Caso isso seja confirmado, a escolha consolidaria Sidônio, na prática, como um superministro da reeleição.

    Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979

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