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Ter filhos aumenta a expectativa de vida

Pesquisa sueca aponta que pais com 60 anos tendem a viver dois anos a mais que os homens da mesma idade sem filhos

Por Da Redação 15 mar 2017, 16h40

Quem tem filhos vive mais, apontou um novo estudo publicado nesta semana no periódico científico Journal of Epidemiology and Community Health. Segundo a pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Karolinska e do Instituto Sueco para Pesquisas Sociais, da Universidade de Estocolmo, homens e mulheres com filhos têm um aumento na expectativa de vida comparado aos sem filhos. Também foi observado que homens não casados com filhos tendem a viver ainda mais que outros homens com o mesmo perfil, mas sem descendentes. Análises anteriores já haviam apontado que pessoas com filhos têm maior longevidade, mas essa é a primeira a cogitar que a companhia e o cuidado constantes dos filhos sejam o motivo da sobrevida.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram os registros de quase um milhão e meio de homens e mulheres suecos nascidos entre 1911 e 1925. Essas trajetórias foram verificadas desde que os indivíduos tinham 60 anos até sua morte, emigração, ou fim do tempo analisado, em dezembro de 2014. Além disso, para ser considerado como pai, o cidadão deveria ter um filho vivo e morando na Suécia no período observado.

Também foram considerados fatores que interferem na qualidade de vida, como nível de educação, região e o estado civil, separando solteiros, divorciados ou viúvos dos que ainda tinham um companheiro. Para observar se o gênero do descendente teve algum impacto na expectativa de vida, eles também isolaram as famílias de filho único do sexo feminino, do masculino.

Cuidado dos filhos com os pais

A partir dessas divisões, os pesquisadores calcularam a taxa de óbito do grupo observado e concluíram que, aos 60 anos, homens com filhos têm uma expectativa de vida dois anos maior que o resto dos homens. Enquanto as mães tendem a viver um ano e meio a mais que o resto das mulheres. Já aos 80 anos, homens pais tendem a viver oito meses a mais, e as mães, sete meses.

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Ainda foi observada uma diferença mais expressiva entre homens não casados. Isso porque os sem filhos tiveram uma taxa de mortalidade maior que os pais sem companheiras. Aos 85 anos, por exemplo, o risco de morte entre homens não casados com filhos é 1,2% menor que os não casados sem filhos.

Já o sexo dos filhos não teve diferença na expectativa de vida. Mas, como essa análise foi feita apenas com pais de filhos únicos, os cientistas alertam que, nesses casos, os homens podem desenvolver a mesma responsabilidade e cuidados que as filhas mulheres.

Apesar do estudo não ter analisado caso a caso, ele identifica como o cuidado dos filhos adultos pode ajudar na terceira idade de seus progenitores, quando a saúde deteriora. No entanto, os próprios pesquisadores admitem outros fatores que podem interferir na expectativa de vida, como a hipótese de que muitas pessoas podem não ter filhos por problemas de saúde e de que pais tendem a ter um estilo de vida mais saudável.

“Nossa constatação de que a associação se fortaleceu quando os pais ficaram mais velhos está de acordo com as pesquisas que sugerem que as pessoas sem filhos enfrentam a falta de cuidados apenas para o fim da vida”, explicaram os cientistas em comunicado.

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