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FDA autoriza nova droga que combate câncer de pele

Esta é a primeira droga indicada para tratar carcinoma basocelular avançado. Nos EUA, vismodegibe estará disponível em até duas semanas

O FDA, agência americana reguladora de medicamentos, aprovou nesta segunda-feira uma pílula que trata o tipo mais comum de câncer de pele, conhecido como o carcinoma basocelular. O remédio batizado de Erivedge (vismodegibe), produzido pela companhia farmacêutica Roche, tem como alvo os tumores avançados e metastáticos.

CARCINOMA BASOCELULAR

O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Se for detectada precocemente, a doença apresenta altos percentuais de cura. Entre os tipos de câncer de pele mais frequentes está o carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos.

O carcinoma basocelular costuma desenvolver-se em superfícies da pele que estão expostas à radiação solar como face, couro cabeludo, orelha, mãos, dorso e pernas. Os tumores começam com formações muito pequenas, brilhantes, duras e salientes. Geralmente, a doença cresce lentamente e não provoca dor.

A droga, que deve ser ministrada uma vez ao dia, é indicada principalmente aos pacientes que não são candidatos a procedimento cirúrgico ou a radiação e àqueles nos quais o câncer se espalhou para outras partes do corpo.

De acordo com a Roche, essa é a primeira droga indicada para tratar carcinoma basocelular avançado. Nos Estados Unidos, o vismodegibe deverá estar disponível em até duas semanas.

A segurança e a eficácia da droga foram avaliadas a partir de um estudo clínico realizado com 96 pacientes com carcinoma basocelular avançado. Entre os pacientes com câncer metastático, 30% teve resposta parcial. E, entre os pacientes com câncer localizado, 43% apresentou resposta parcial ou completa.

O medicamento será contraindicado para mulheres grávidas, já que pode causar morte do feto e consequências graves em bebês.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão espasmos musculares, perda de cabelo, perda de peso, diarreia, fadiga, perda do paladar, diminuição do apetite, constipação intestinal e vômito.

A aprovação da droga ocorreu antes do previsto. Esperava-se que o FDA decidisse sobre o medicamento somente no início de março. O processo foi acelerado já que não há nenhum tratamento aprovado para carcinoma basocelular.

Segundo a assessoria de imprensa da Roche no Brasil, não há data de previsão para submeter a droga à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Opinião do médico

Marco Antônio de Oliveira

Dermatologista do setor de câncer de pele do Hospital AC Camargo

“O novo medicamento serve para casos específicos de pessoas que desenvolvem o carcinoma basocelular metastático (quando o câncer se espalha). Ele poderá ser utilizado em situações onde esse tipo de câncer afeta outros órgãos, ultrapassando o limite da pele – isso ocorre em cerca de 1% dos pacientes.

Na maioria das vezes, o carcinoma basocelular é tratado com cirurgia. Antes desse remédio, quando o basocelular desenvolvia essa característica mais agressiva, não tinhamos medicação nenhuma para indicar ao paciente. Por isso, considero uma droga inovadora.

Apesar disso, não é perfeita. A pesquisa até agora mostrou que uma pequena parcela das pessoas respondem muito bem à droga; a maioria responde parcialmente; e uma minoria não apresenta resultados satisfatórios.”