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Dieta do Mediterrâneo pode entrar na lista de patrimônios culturais da Unesco

Desde 2003, o órgão agrega tradições orais, práticas sociais e festividades locais a prédios antigos e paisagens naturais

A lista de patrimônios da humanidade da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) é, normalmente, relacionada a cidades antigas, templos gregos, monumentos religiosos ou até locais de uma beleza natural exuberante. Mas a mesma lista deve engrossar em novembro deste ano. A dieta do Mediterrâneo – com sua mistura de frutas, vegetais, peixe grelhado e azeite de oliva – pode integrar uma relação de patrimônios culturais “intangíveis”, lançada pela Unesco em 2003. A idéia é agregar tradições orais, artes performáticas, práticas sociais, rituais e festivais aos já tradicionais prédios e vistas naturais.

Se for aprovada em novembro, durante a votação em Nairóbi, capital do Quênia, a dieta irá se juntar às 178 experiências culturais já elencadas pelo órgão, que incluem desde o tango e os cantos dos pigmeus da África Central aos teatros de bonecos da Sicília e as canções pastorais da Sardenha. “Isso é um grande sucesso para o nosso país, nossa tradição gastronômica e nossa cultura”, afirmou Giancarlo Galan, ministro italiano da agricultura, ao jornal The Guardian. A primeira proposta de inclusão da dieta, no entanto, feita há quatro anos pela Itália, Grécia, Espanha e Marrocos, foi recusada.

A dieta do Mediterrâneo ganhou os holofotes do mundo no final do século 20, promovida desde o pós-guerra por escritores como Elizabeth David, autora do livro Mediterranean Food. Além de ajudar no equilíbrio da saúde e na longevidade, estudos apontam ainda que ela pode prevenir algumas doenças, como a depressão. “Na Itália de hoje os pais ainda estão em boa forma, mas seus filhos sofrem cada vez mais com a obesidade. Houve uma ruptura drástica nos hábitos alimentares entre as duas gerações”, comenta Rolando Manfredini, membro do grupo de agricultores italianos.