Cientistas fabricam carne de porco em laboratório

Pesquisa holandesa pode acrescentar linguiça in vitro ao cardápio em um ano

Cientistas de um laboratório da Universidade de Tecnologia Eindhoven, na Holanda, poderão propor em breve uma mudança na alimentação das pessoas. Eles começaram a desenvolver carne in vitro, a partir de células musculares de animais. Seu objetivo é reduzir a criação excessiva de animais em cativeiro para abatimento.

O procedimento começa a partir da retirada de uma pequena parcela do músculo de um porco. Desse tecido, são extraídas células miosatélites (células-tronco adultas responsáveis pelo crescimento dos músculos) que são adicionadas a uma substância chamada “soro de crescimento animal livre” para estimular a multiplicação das células. Coloca-se a mistura em um esqueleto artificial, onde as células se agrupam e criam miofibras que, por sua vez, formarão músculos.

Segundo Mark Post, responsável pela pesquisa, apesar dos avanços, o processo ainda precisa ser aperfeiçoado e barateado. Ele calcula que ainda serão necessários mais um ano de pesquisa e 250.000 dólares pelo menos para se fabricar um tipo de linguiça acessível ao consumidor em até um ano, a um preço razoável. O governo holandês já investiu 2,6 milhões de dólares no estudo. Mas a equipe de Post está de olho no prêmio de 1 milhão de dólares prometido por uma entidade americana de defesa dos animais para quem conseguisse criar uma carne de galinha sintética e levá-la ao prato da população até 2016.

Há algum tempo percebi que isso poderia ter um impacto muito maior do que qualquer trabalho médico que eu estive fazendo por mais de 20 anos – em termos de benefícios ambientais, à saúde humana, e contra a fome mundial”, salienta o pesquisador, acrescentando que uma dieta vegetariana consome 35% menos água e 40% menos energia para ser produzida. A pesquisa foi publicada na última edição da revista Nature.