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Carne processada aumenta risco de câncer no pâncreas, diz estudo

Pesquisadores observaram que consumir diariamente uma quantidade equivalente a uma salsicha já é capaz de elevar em 19% as chances da doença

Segundo um novo estudo publicado no British Journal of Cancer, o consumo de grande quantidade de carne processada pode aumentar o risco de câncer de pâncreas. A pesquisa foi desenvolvida pela Fundação Sueca do Câncer e pelo Instituto Karolinska, na Suécia, e concluiu que ingerir todos os dias uma quantidade do alimento equivalente a apenas uma salsicha já é suficiente para aumentar as chances da doença.

Os autores do estudo analisaram outras onze pesquisas que envolviam ao todo mais de 6.000 participantes. Eles concluíram que pessoas que comem 50 gramas de carne processada diariamente, quantidade que corresponde a duas fatias de bacon ou a uma salsicha, têm 19% mais chances de desenvolverem câncer de pâncreas do que quem não consome o alimento. O risco aumenta em 38% para aquelas que consomem 100 gramas de carne processada ao dia e 57% para as pessoas que ingerem 150 gramas do alimento.

Carne vermelha- Quando os pesquisadores foram analisar a relação entre o risco de câncer de pâncreas e o consumo de carne vermelha, os resultados foram inconclusivos. Isso por que a ingestão do alimento elevou as chances da doença entre os homens, mas não entre as mulheres. O estudo mostrou que homens que ingeriam 120 gramas de carne vermelha ao dia tinham 29% mais chances de desenvolverem o problema quando comparados com aqueles que não consumiam o alimento.

“O câncer de pâncreas dá pouca sobrevida (95% morrem no período de até cinco anos após o diagnóstico). Portanto, assim como diagnosticá-lo cedo, é importante entender o que pode aumentar o risco da doença”, afirma Susanna Larsson, autora do estudo. “Se a dieta afeta o risco de câncer de pâncreas, então isso poderia influenciar as abordagens de campanhas de saúde pública para ajudar a reduzir o número de casos da doença”.

Para os pesquisadores, estudos maiores ainda são necessários para que se possa afirmar que a carne é, de fato, um fator de risco para o câncer de pâncreas. “Nós sabemos que estilo de vida e tabagismo estão muito ligados ao câncer de pâncreas. Parar de fumar é a melhor maneira de reduzir as chances da doença e de outros problemas de saúde também”, diz a diretora de informação do Cancer Research UK, do Reino Unido, Sara Hiom.

Brasil – Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas é responsável por 2% de todos os casos de câncer diagnosticados no Brasil e por 4% das mortes por câncer. É raro aparecer entre pessoas com menos de 30 anos e é mais comum entre os homens. De acordo com dados do Instituto, em 2009 foram registrados 9.320 novos casos da doença no país e, no ano de 2008, o câncer de pâncreas matou 6.715 pessoas. O Inca indica que não fumar, não exagerar nas bebidas alcoólicas e adotar uma dieta balanceada são medidas capazes de prevenir o câncer.