Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Velocidade milionária

A extraordinária potência do arremesso de Eric Pardinho, um brasileiro de 16 anos, atraiu os olhares (e as cifras) da liga americana de beisebol

O beisebol é um esporte que ainda engatinha no Brasil, apesar da imensa colônia japonesa de São Paulo e do Paraná e do crescente interesse que pode ser medido pela razoável audiência das transmissões dos jogos na televisão a cabo. Dificilmente alcançará o êxito de modalidades de sucesso nos Estados Unidos com as quais os brasileiros já têm algum contato, como o futebol americano. Por aqui, para muita gente, o “apanhador” — aquele atleta cuja função é receber as bolas com a luva de couro — será por muito tempo atrelado ao título em português do clássico livro de J.D. Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio. Mas há uma boa novidade, ímã de atenção.

O paulista Eric Taniguchi Pardinho, 16 anos, de mãe nissei, assinará na próxima quinta-feira, 6, um contrato de sete anos com o Toronto Blue Jays, equipe da Major League Baseball (MLB), a liga americana do esporte, que também agrega esse time do Canadá. Ele receberá 1,5 milhão de dólares como luvas, o bônus oferecido no acordo inaugural. Passará por um período de adaptação na República Dominicana e na Flórida antes de disputar as competições oficiais. O que atraiu os olheiros foi a extraordinária velocidade do arremesso de Pardinho — ele chega a atingir 153 quilômetros por hora, ante uma média na elite de 150 quilômetros por hora, nas bolas mais rápidas.

É questão de jeito, muito mais que de força. E a velocidade, entre os pitchers — eis o nome da posição, em inglês —, é requisito fundamental, que separa os homens dos meninos. Não se trata, como podem supor os neófitos, de apenas pôr o corpo em boa posição, correr e soltar a bola na direção do rebatedor adversário, tornando a rebatida difícil. Há modos e modos de lançá-la com o máximo de veneno (veja o quadro abaixo). O pai, Evandro, representante comercial de um fabricante de calçados infantis e que nunca havia segurado um taco na vida, passou a estudar com o filho tudo sobre o beisebol e tem certeza: “O Eric mistura a frieza e a técnica japonesas com a agressividade latina”. 

(Arte)

Publicado em VEJA de 5 de julho de 2017, edição nº 2537