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Relator do caso Vargas quer dados de reuniões de Padilha

Investigações da Polícia Federal sugeriram que o ex-ministro da Saúde indicou um executivo para a Labogen, laboratório controlado pelo doleiro Youssef

Relator no Conselho de Ética da Câmara da representação contra o deputado André Vargas (sem partido-PR), o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) anunciou nesta quarta-feira que vai encaminhar diligência ao Ministério da Saúde para pedir o registro de reuniões – desde agosto do ano passado – do ex-ministro Alexandre Padilha (PT), candidato ao governo de São Paulo, e do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da Saúde da pasta, Carlos Gadelha. O objetivo, segundo Delgado, é identificar as empresas e parlamentares que solicitaram reuniões com Padilha ou Gadelha.

Em VEJA: PT se articula para salvar André Vargas da cassação

O Conselho de Ética analisa um processo de cassação contra Vargas, acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato. Investigações da Polícia Federal sugeriram que o ex-ministro da Saúde indicou um executivo para a Labogen, laboratório controlado pelo doleiro Alberto Youssef, e que tentou firmar contrato milionário com a Saúde. Gadelha também é citado nas apurações da PF.

As ligações de Vargas – que ao final do processo pode perder o mandato – com o doleiro vieram a público depois de ser revelado que ele pegou carona em um jatinho fretado por Youssef. Em seguida, a situação de Vargas agravou-se ainda mais após reportagem de VEJA mostrar novos detalhes de sua ligação com o doleiro, preso por comandar um esquema de lavagem de dinheiro. Youssef, a quem Vargas chamava de “irmão”, mantinha contato constante com o congressista: segundo as investigações da PF, os dois trabalhavam para enriquecer juntos fraudando contratos com o governo federal. Mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal evidenciaram que Vargas exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef. Pressionado pelo PT a abrir mão do mandato, Vargas renunciou à vice-presidência da Câmara e acabou se desfiliando do partido.

O Conselho de Ética reuniu-se na quarta-feira para o depoimento de testemunhas arroladas por Delgado no caso, mas ninguém compareceu à sessão – o conselho não tem poder de convocação. O pessebista pediu para ouvir Youssef; o presidente nacional do PT, Rui Falcão; o deputado Cândido Vaccarezza, também citado na Lava-Jato; o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP); dois sócios do laboratório Labogen (Leonardo Meirelles e Esdra Ferreira); o proprietário da empresa Elite Aviation, Bernardo Tosto; além do próprio Gadelha. Destes, não responderam aos convites Falcão e Vicentinho, que por isso foram dispensados pelo relator. Vaccarezza deverá comparecer na próxima terça-feira, 1º, e os dois sócios do laboratório, na quarta-feira, 2.

Youssef participará na semana que vem de uma videoconferência e Tosto responderá a perguntas por escrito. Gadelha argumentou que não pode comparecer por compromissos já agendados e também foi dispensado.

(Com Estadão Conteúdo)