Candidatos nacionalizam debate em SP – e sobra para os padrinhos

Corrupção e governo Temer tomaram conta das discussões. Dos temas da cidade, apenas o Uber provocou tensão

O terceiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, transmitido pela TV Gazeta na noite deste domingo, foi até agora o mais “nacional” de todos: os postulantes focaram suas respostas em temas da agenda política do país, como a reforma trabalhista e a PEC para estabelecer um limite para gastos públicos. Em um embate em que muito se tratou de corrupção, a Operação Lava Jato também foi lembrada.

Os padrinhos políticos entraram na mira: Fernando Haddad (PT) precisou sair em defesa de Lula, denunciado na quarta-feira pelo Ministério Público Federal. Aproveitou para atacar o governador Geraldo Alckmin, patrocinador da candidatura de João Doria (PSDB), e Fernando Henrique Cardoso. Em resposta, Doria afirmou que Alckmin é seu modelo de gestor e que, ao contrário de Lula, FHC é honesto. O tucano ainda afirmou que o partido de Haddad instaurou a corrupção no Brasil.

Reforçando o discurso que o apresenta como um”outsider”, Doria afirmou diversas vezes que é um gestor – e não um político, “ainda que respeite a classe”. Na briga com o tucano pela vaga no segundo turno, Marta Suplicy (PMDB) aproveitou suas considerações finais para atacá-lo. Afirmou que boa gestão sem coração não funciona, que é preciso ter vocação para a função pública. E que a prefeitura não é lugar para fazer bons negócios.

Haddad foi para cima de Marta e, numa dobradinha com Luiza Erundina (PSOL) passou quase todo o tempo tentando colar a adversária à imagem de Michel Temer. O prefeito perguntou à deputada sobre a PEC do teto de gastos, que classificou como “congelamento de gastos sociais”. Ela garantiu que votará contra, e emendou: “Não ao governo Temer”. Sobre Lava Jato, Erundina defendeu a operação, mas criticou os “excessos” da força-tarefa, em referência à acusação contra Lula. Foi prontamente apoiada por Haddad.

Coube a Marta responder a uma pergunta sobre corrupção, com comentários justamente de Haddad. O momento chegou a provocar risos na plateia – e reclamações da equipe de Marta de que o sorteio tivesse sido arranjado. Ao final, contudo, seus aliados avaliaram que ela se saiu muito bem.

Sempre pouco atacado, Celso Russomanno (PRB) exaltou-se quando questionado sobre o Uber. O candidato, que já se posicionou contra o aplicativo, agora afirma que vai regulamentá-lo. Provocado por Haddad quanto ao tema, afirmou: “Você, que tem um sobrinho no Uber e sabe todos os dados sobre a frota, por que os esconde?”.

Sobrou até para o franco-atirador Major Olímpio (SD). Aquele que trata a corrupção como “vergonha” teve de responder sobre o apoio do presidente de seu partido a Eduardo Cunha – e se enrolou. Disse que os deputados do Solidariedade tiveram liberdade para votar pela cassação do peemedebista.

Comentários

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  1. Nicola Cariello Neto Cariello

    Não aguento mais tanta falsidade dos políticos.

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  2. Liderada pelo governador Geraldo Alckmin, a candidatura de João Dória terá 13 partidos, com isso, o maior tempo de TV. Isso dá uma grande vantagem ao candidato tucano. O PSDB estará unido e forte nesta campanha. Alckmin é hoje a principal liderança do PSDB no Estado e uma das maiores do país. Seu apoio foi determinante nas prévias e poderá ser decisivo nas eleições.

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