Por: Renata Honorato, de Austin - Atualizado em

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Imagine o diálogo a seguir:

- Oi, Renata. Você gosta de Radiohead?

- Sim. Como você sabe disso? E como sabe meu nome?

- Meu celular avisou que uma pessoa neste bar gostava muito do álbum The Bends, do Radiohead. Chequei o perfil e descobri seu nome. Também gosto muito da banda e, por isso, estou aqui conversando com você.

A situação acima pode parecer invasiva, mas ilustra a proposta dos aplicativos sociais apresentados durante o South by Southwest (SXSW), festival americano onde são descobertas tendências digitais. Mobilidade foi o grande destaque do encontro, que reuniu nesta semana mais de 50.000 pessoas na cidade de Austin, no Texas, e se encerra neste domingo.

A popularidade de aplicativos sociais é natural à medida que cresce o acesso à internet via celular. Nos Estados Unidos, 46,7% dos usuários usam o aparelho para baixar apps, segundo dados da comScore. O crescimento na base de assinantes 3G também é significativo. Em todo o mundo, ao menos 1,2 bilhão de usuários possuem o serviço, de acordo com estudo da União Internacional de Telecomunicações (ITU, em inglês). E o futuro é ainda mais promissor. Em 2016, haverá em todo o planeta mais dispositivos móveis conectados - cerca de 10 bilhões - do que a população total da Terra, que é de 7,3 bilhões, afirma relatório da Cisco divulgado em fevereiro.

Não é à toa, portanto, que empresas do setor de tecnologia têm apostado no segmento móvel. Em um mundo mais conectado por meio de celulares e tablets, a necessidade de recursos sociais é inerente. Essa é a razão pela qual o número de aplicativos que cruzam amigos e amigos de amigos nas redes sociais a informações de geolocalização têm se firmado como uma tendência "pé no chão".

O Highlight é uma dessas promessas. Disponibilizado durante o SXSW, ele mostra os usuários do Facebook que estão geograficamente próximos. O cadastrado pode, então, marcar outra pessoa e ter acesso às suas páginas sociais na internet. Já o Glancee busca na rede dos amigos usuários de interesse comum. O sistema identifica esses internautas, diz se eles estão próximos e permite a interação de pessoas até então com conexões desconhecidas.

O japonês Pitapat vai ainda mais longe. Desenvolvido para ser um aplicativo de relacionamento, ele pesquisa na rede de amigos pessoas na região com os mesmos interesses. Encontrado e marcado o flerte, a mira recebe uma notificação dizendo que alguém está interessado nele ou nela. Para avaliar o grau de compatibilidade, o sistema sugere nove opções para o paquerado. Ele escolhe, então, três. Se a primeira pessoa estiver entre as suas escolhas, o sistema dá início a uma conversa no formato de chat privado. Ao atingir o número de dez mensagens trocadas, o que indica simpatia entre ambos, o aplicativo apresenta, enfim, o paquerador ao paquerado.

Outros serviços recentes possuem o mesmo conceito, mas objetivos distintos. O Palmu, também desenvolvido no Japão, permite o compartilhamento de músicas armazenadas no celular entre amigos do Facebook, enquanto o Glomper, um dos candidatos a próximo Twitter em termos de popularidade, oferece como recurso a criação de eventos devidamente geolocalizados e privados. Dentro desses grupos, os usuários podem compartilhar vídeos e fotos.

Se a tendência em médio prazo é a conexão de pessoas que compartilham interesses, o SXSW é sem dúvida o melhor lugar para apresentar esses serviços. A diversidade dos participantes e a disposição de cada um em aumentar a sua rede de contatos faz do ambiente um lugar propício a um hábito ainda incomum, mesmo depois da internet: a conversa descompromissada entre estranhos. Esses novos aplicativos só sugerem a potencialização de uma significativa mudança comportamental na forma como nos comunicamos. E a tecnologia da geolocalização, aliada à popularização dos smartphones e tablets, está aí para mapear essas novas redes sociais.

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