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Julian Assange, fundador do WikiLeaks
Julian Assange, fundador do WikiLeaks(Carl de Souza/AFP/VEJA)

A emissora estatal russa de TV Russia Today estreiou nesta terça-feira The World Tomorrow (O mundo amanhã, em tradução literal), programa de entrevistas encabeçado por Julian Assange, fundador do Wikileaks, responsável pelo vazamento de milhares de documentos secretos de empresas e governos. A escolha do primeiro convidado do programa - Hassan Nasrallah, líder do grupo terrorista Hezbollah, em atividade no Líbano - deixou claro que Assange está disposto a abraçar qualquer companhia para dar vazão a seu antiamericanismo.

O programa foi gravado na Grã-Bretanha, onde Assange é mantido em prisão domiciliar à espera de uma decisão sobre sua extradição à Suécia, país que o requer para interrogá-lo por quatro supostos crimes sexuais. Ele disse que esperava ser tratado como um "combatente inimigo, traidor, que dorme na cama do Kremlin e conduz entrevistas com terríveis (militantes) radicais", segundo o site da Russia Today. É mais ou menos a esse papel que ele se prestou mesmo.

Em sua estreia, o fundador se limitou a criticar os Estados Unidos e optou por se calar quanto aos problemas enfrentandos pela própria Rússia. Em nenhum momento o fundador do Wikileaks deflagrou comentários sobre os altos índices de corrupção do país ou sobre a fortuna secreta de Vladimir Putin, citada em documentos da organização em 2010.

Para Luke Harding, colunista do jornal britânico The Guardian, a relação de Assange com a estatal Russia Today e a escolha do terrorista Nasrallah para a estreia do programa deve ser vista com desconfiança. O representante do Hezbollah foi oportunista ao aproveitar a chance e a repercussão da transmissão para reafirmar o seu apoio ao regime sírio, que reprime há mais de um ano um movimento de contestaçao. Não por coincidência, a Rússia defende a mesma posição.

"A estreia do fundador do Wikileaks na TV russa não concede a Assange o título de revolucionário destemido. Apenas comprova o contrário: ele não passa de um idiota útil", afirma Harding na coluna.

"Se o objetivo é competir com a BBC, Al-Jazeera e CNN, eles certamente não estão na direção certa. O uso do escândalo não é adequado para as ambições de atingir um público amplo internacional", diz Maria Lipman, do centro Carnegie em Moscou, sobre a decisão da Russia Today em chancelar o programa de Assange.

(Com agência France-Presse)

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