Oceanografia

Cientistas propõem nova forma para medir mudanças no nível do mar

Técnica, no entanto, apresenta um problema: ainda não existem equipamentos que aguentem executar a medição no fundo do mar

Cientistas afirmam que o monitoramento da pressão em um ponto do Pacífico pode revelar a massa de todas a água que existe nos oceanos

Cientistas afirmam que o monitoramento da pressão em um ponto do Pacífico pode revelar a massa de todas a água que existe nos oceanos (Jens Carsten Rosemann/iStockphoto/Getty Images)

Medir o aumento do nível dos mares sempre foi uma tarefa extremamente complexa. Também é um ponto de controvérsia nos estudos que tentam prever qual será a elevação do nível do mar por causa do aquecimento global. Para resolver esse problema, oceanógrafos britânicos propuseram uma maneira incomum de observar a evolução do aumento do nível do mar: pesar os oceanos. 

Em um artigo publicado nesta semana na revista Geophysical Research Letters, cientistas do Centro Oceanográfico do Reino Unido e da Universidade de Newscastle afirmaram que a melhor ideia é obter a massa de todos os oceanos monitorando apenas um ponto da região central do oceano Pacífico. 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Weighing the ocean: Using a single mooring to measure changes in the mass of the ocean

Onde foi divulgada: revista Geophysical Research Letters

Quem fez: Chris W. Hughes, Mark E. Tamisiea, Rory J. Bingham, Joanne Williams

Instituição: Centro Oceanográfico do Reino Unido e Universidade de Newscastle 

Dados de amostragem: ponto do Oceano Pacífico Central

Objetivo: Tentativa de medir toda a massa do oceano a partir de um único ponto.

"Nós imaginamos que fazer medições precisas de mudanças de pressão em um único ponto do oceano Pacifico vai indicar a massa de todos os oceanos. E nós sabemos exatamente onde colocar os instrumentos de medição: no Oceano Pacífico Central, onde as águas profundas são as mais calmas", disse Christopher Hughes, um dos cientistas do Centro Oceanográfico do Reino Unido.   

Segundo Hughes, o princípio que os cientistas querem seguir é o de observar uma banheira enchendo: não olhar a água subindo perto da torneira, onde a água cai e produz ondas, mas observar o outro lado, onde a elevação do nível é lenta e continua. 

Problemas — Mas a ideia tem um problema: ainda não existem instrumentos sensíveis o suficiente para fazer isso. No momento, oceanógrafos podem medir a rapidez com que os oceanos estão se enchendo com boias, medidores de maré e satélites, mas os métodos são complexos e imprecisos.

Segundo os cientistas, estimativas apontam que o nível dos oceanos está subindo mais ou menos três milímetros por ano. Previsões apontam que o aumento ao longo do século pode variar entre 30 centímetros e um metro. Mas são estimativas que sofrem com a imprecisão dos atuais equipamentos. 

Existem duas maneiras do nível dos oceanos aumentar. A água dos oceanos pode esquentar e se expandir, o que faz com que a água conserve o mesmo peso, mas ocupe mais espaço. O outro jeito é a adição de água nos oceanos, provavelmente resultado do derretimento de gelo localizado em terra firme  o que aumentaria o peso dos oceanos.  

Pressão — Com alguns dados obtidos pelo Programa de Mitigação de Risco de Tsunamis dos EUA, Hughes afirma que ele e seus colegas já conseguiram mostrar que uma quantidade de 6 trilhões de toneladas de água é adicionada temporariamente nos oceanos entre março e setembro de cada ano — o suficiente para aumentar o nível dos mares em 1,7 centímetro.

Mas esses dados não mostram tendências de longo prazo, a principal preocupação de países e ilhas que podem sofrer mais com o aumento do nível do mar. Segundo os cientistas, medir a pressão do fundo do mar em ponto calmo do Pacífico Central resolveria esse problema.

Já que os equipamentos para medir isso ainda não existem, o grupo espera que engenheiros consigam desenvolver algum instrumento que consiga aguentar a pressão a quatro quilômetros de profundidade.

"A pessoa que desenvolver com sucesso essa ideia vai ter resolvido o maior problema de medição no mar e produzir um instrumento de enorme valor em outros ramos da oceanografia", disse Hughes.

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