Cinema

Drama de Michael Haneke leva Palma de Ouro em Cannes

'Amour' derrotou, entre outros, 'Na Estrada', do diretor brasileiro Walter Salles

Carlos Helí de Almeida, de Cannes

O drama sobre dois octogenários diante de uma doença que põe à prova a relação do casal, Amour, de Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro da 65ª edição do Festival de Cannes, em cerimônia ocorrida no início da noite deste domingo. Assim, o diretor austríaco, que ganhou o prêmio máximo do festival francês em 2009 com A Fita Branca, entra para o seleto time de bicampeões de Cannes. O brasileiro Walter Salles concorria na categoria com Na Estrada, uma produção entre França, Inglaterra e Estados Unidos.

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Presidido pelo diretor italiano Nanni Moretti, o júri oficial premiou alguns dos títulos preferidos dos jornalistas, com o filme de Haneke, e ignorou outros, como o V Tumane, do ucraniano Sergei Loznitsa, sobre um camponês de uma vila da Bielorrussia acusado de traição por seus vizinhos, durante a ocupação alemã na II Guerra.

Também causou surpresa ao conceder o prêmio de melhor direção ao mexicano Carlos Reygadas, de Post Tenebras Lux, que chegou a ser vaiado na sessão para a imprensa. O filme de Reygadas fala sobre um casal que se muda para o interior do país e lá enfrenta os fantasmas da diferença de classes sociais.

O Grande Prêmio do Júri, que equivale a um segundo lugar, foi para Reality, do italiano Matteo Garrone, sobre um pescador de Nápoles obcecado pela ideia de participar do Big Brother italiano. O Prêmio do Júri ficou com The Angel’s Share, do britânico Ken Loach, comédia de fundo social sobre um jovem escocês à beira da delinquência e sem perspectiva de trabalho que organiza um pequeno golpe para colocar a vida nos trilhos.

O filme de Loach estava entre os títulos da competição que, de alguma forma, faziam paralelos com as consequências da crise econômica mundial. “Devemos mostrar nossa solidariedade a todos aqueles que atravessam esse período de turbulências”, disse o realizador de 75 anos, vencedor da edição de 2006 com Ventos da Liberdade.

Beyond the Hills, do romeno Christian Mungiu, que recria as circunstâncias da morte de uma jovem depois de sessões de exorcismo, no interior do país, saiu da festa com os prêmios de roteiro e de interpretação feminina, divido entre Cosmina Stratan e Cristina Flutur. Mads Mikkelsen, que vive um professor de jardim de infância acusado injustamente de abusar de seus alunos no filme The Hunt, do dinamarquês Thomas Vinterberg, cravou o prêmio de melhor ator.

O júri do troféu Câmera d’Or, para filme de diretor estreante, presidido pelo cineasta brasileiro Cacá Diegues, foi para Beasts of the Southern Wild, do americano (de origem indiana) Benh Zeitlin. Já o júri da mostra Um Certo Olhar, presidido pelo ator britânico Tim Roth, apontou a produção mexicana Después de Lucia, de Michel Franco, sobre uma adolescente que sofre bulling no colégio onde estuda, como o melhor filme da seleção. O longa V Tumane ficou com o prêmio da crítica internacional.

Confira a lista completa de vencedores do festival:

Filme: Amour, de Michel Haneke
Grande Prêmio do Júri: Reality, de Matteo Garrone
Prêmio do Júri: The Angel’s Share, de Ken Loach
Direção: Carlos Reygadas, por Post Tenebras Lux
Ator: Mads Mikkelsen, por The Hunt, de Thomas Vinterberg
Atriz: Cosmina Stratan e Cristina Flutur, por Beyond the Hills, de Christian Mungiu
Roteiro: Beyond the Hills, de Christian Mungiu
Câmera d’Or: Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin
Curta-metragem: Sessiz-be Deng, de L. Rezan Yesilbas
Prêmio da crítica internacional: V Tumane, Sergei Loznitsa.

Assista ao trailer de Amour:

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