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Rio de Janeiro

Polícia monta operação para recuperar celulares furtados em manifestação no centro do Rio

Com números de série dos aparelhos e dados dos chips que foram instalados, investigadores chegam aos endereços de suspeitos de receptação de produto de furto. Vinte pessoas foram encaminhadas para delegacia para prestar esclarecimentos

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
Policiais procuram, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, endereços de suspeitos de furtar celulares durante a manifestação na Alerj

Policiais procuram, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, endereços de suspeitos de furtar celulares durante a manifestação na Alerj (Leo Corrêa/VEJA)

Passado um mês e meio da manifestação que depredou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e uma série de estabelecimentos comerciais do centro da capital, uma operação da Polícia Civil deflagrada na madrugada desta terça-feira tenta chegar aos suspeitos de furto e vandalismo. O mecanismo encontrado pelos investigadores foi o de localizar os aparelhos celulares furtados de uma das lojas da operadora Claro, saqueada na noite de 17 de junho. Como muitos dos celulares furtados passaram a ser usados com chips registrados na operadora, foi possível cruzar o número de série dos aparelhos roubados – algo obtido pelo sistema de antenas de telefonia – com o CPF que consta no número da linha utilizada. Os policiais conseguiram identificar, com esse método, 30 endereços, para os quais foram expedidos mandados de busca e apreensão pela Justiça. Vinte pessoas foram detidas para prestar esclarecimentos.

Pouco depois das 4h, sessenta policiais de delegacias especializadas e distritais partiram para endereços nas zonas Norte e Oeste, da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, para apreender os aparelhos celulares e levar os suspeitos para prestar depoimento. Os suspeitos não foram presos, e muitos deles alegaram ter ganhado os celulares de pessoas conhecidas, parente e até mesmo filhos. Pelo menos dois dos suspeitos conduzidos à DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) disseram ter recebido os celulares de seus filhos e afirmaram que os jovens participam das manifestações, apesar de não saberem que portavam celulares furtados.

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Delegados envolvidos na operação não deram declarações durante a manhã, alegando que a investigação corre sob segredo de Justiça. Por volta das 11h30, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, chegou à sede da DRCI para acompanhar os trabalhos.

Nove pessoas ficaram presas, oito delas por receptação dolosa de produtos roubados. Um homem foi indiciado por furto qualificado com arrombamento, por ter confessado ter levado dois celulares da loja e ter atuado na depredação do estabelecimento.

A recuperação dos celulares é a primeira ação coordenada e em grande escala, no sentido de chegar aos suspeitos de crimes durante as manifestações. Até então, as polícias Civil e Militar, assim como o Ministério Público, tinham pouquíssimas informações sobre pessoas que, com rostos cobertos, foram filmadas ou fotografadas cometendo crimes como depredação de patrimônio, furto ou agressões.

Os detidos poderão ser enquadrados no crime de receptação de produto roubado. A partir dos depoimentos, os investigadores tentarão chegar aos autores dos furtos. Até as 11h, não havia informações sobre prisões.

Engano – Um erro da operadora Claro causou constrangimento a um casal, morador da Tijuca. Durante a madrugada, a publicitária Valesca Fernandes, 41 anos, e o marido, o analista de sistemas Belisário Braga, de 49, foram acordados pelos policiais.Dando ordens para abrir a porta e afirmando ter um mandado judicial, os agentes tentava apreender um dos aparelhos que, segundo a operadora, havia sido furtado.

Apavorado, Belisário pensou estar sendo vítima de um assalto ou tentativa de sequestro. Ele decidiu, então, recorrer ao número 190, da Polícia Militar. O casal só abriu a porta quando uma viatura da PM chegou ao local e assegurou que os homens eram realmente da Polícia Civil. “Até entendermos o que estava acontecendo, ficamos muito nervosos”, contou Valesca.

Uma vez dentro do apartamento, os policiais foram menos agressivos. Valesca apresentou a nota fiscal do aparelho, adquirido na loja da Claro. Os policiais chegaram à conclusão de que um erro na loja provocou a falha na emissão do mandado de busca: a caixa do celular, que Valesca apresentou, tinha um número de série diferente do que está registrado no aparelho.

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17h30 - Manifestantes chegam de metrô ao Centro do Rio

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