Brasil
Infraestrutura
Em ranking, os estados que vão decolar em 2012
Um levantamento inédito, que VEJA publica com exclusividade, revela quais são os estados brasileiros mais preparados para receber o fluxo recorde de investimento estrangeiro que chega ao país graças à estabilidade econômica interna e à proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016
Otávio Cabral
NO ALTO
Prédios comerciais na Zona Sul de São Paulo: o estado tem solidez institucional e o melhor ambiente de negócios do país
A estabilidade política e econômica, o crescimento do mercado consumidor e os incentivos fiscais fazem do Brasil um país atraente para os investidores estrangeiros. Mas nem todos os estados conseguem aproveitar essa oportunidade como deveriam. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e Santa Catarina são os únicos que apresentam um bom ambiente de negócios para quem quer investir no setor produtivo do país. Nos demais, problemas como a carga tributária elevada, a burocracia, as deficiências de infraestrutura e a falta de mão de obra qualificada afugentam o capital externo. Essas são as principais conclusões do primeiro Ranking de Gestão dos Estados Brasileiros, elaborado pela Unidade de Inteligência do grupo inglês Economist, patrocinado pelo Centro de Liderança Pública e publicado com exclusividade por VEJA. O relatório será atualizado anualmente e divulgado na última edição do ano da revista. O objetivo é ajudar a balizar os administradores públicos, a fim de que eles promovam as reformas necessárias e, assim, aumentem a sua capacidade de atrair o investimento estrangeiro e também nacional. Afinal de contas, legislações que proporcionem maior eficiência e produtividade funcionam como um ímã para o dinheiro de qualquer nacionalidade.
Para fazerem o ranking, os pesquisadores analisaram 25 indicadores em oito quesitos (um resumo das tabelas pode ser conferido nas próximas páginas e a íntegra do estudo está em veja.com). “A meta principal é fortalecer as instituições e evitar o personalismo. Por isso, não foi analisado o desempenho dos governantes, mas das políticas públicas implementadas ao longo dos últimos anos. Instituições vigorosas estão na base do sucesso de uma nação”, diz Luiz Felipe d’Ávila, diretor-presidente do Centro de Liderança Pública. De fato, a robustez das instituições explica o desempenho dos estados que estão no topo da avaliação. São Paulo está entre os três primeiros em sete dos oito quesitos e lidera a classificação geral. “O estado de São Paulo apresenta o melhor ‘ecossistema’ para a realização de negócios. Tem estabilidade política, as melhores universidades, boa infraestrutura e uma indústria de serviços consolidada. Só precisa simplificar seu sistema tributário”, aponta D’Ávila. Já o Piauí, o último colocado, é exatamente o oposto — trata-se de um estado com instituições sucateadas e um poder público deficiente. A infraestrutura é tão precária que a produção precisa ser escoada por meio dos estados vizinhos. Para se ter uma ideia, a construção do Porto de Luís Correia, obra que amenizaria o problema, arrasta-se há mais de trinta anos.
NO CHÃO
Posto de fiscalização com cobertura de sapé em estrada de terra de Uruçuí, no interior do Piauí: falta de infraestrutura afugenta os investidores
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, aliada à crise econômica que colocou de joelhos os Estados Unidos e a Europa, o Brasil passa por uma expansão assombrosa no que se refere aos investimentos estrangeiros diretos. De janeiro a novembro deste ano, o país recebeu mais de 60 bilhões de dólares, um recorde. As 27 unidades administrativas brasileiras não concorrem apenas entre si para atrair esses recursos, mas também com outros países. Por esse motivo, mesmo os melhores estados precisam modernizar ainda mais sua legislação, qualificar a mão de obra e divulgar suas vantagens.
Há experiências a ser seguidas. Em Minas Gerais, a Fundação João Pinheiro proporciona cursos de reciclagem profissional a funcionários públicos e financia o estudo de jovens que querem seguir carreira na administração pública — a cada ano, são formadas sessenta pessoas. Além disso, todo servidor mineiro que atinge sua meta de desempenho recebe uma gratificação em dinheiro, o equivalente a um 14º salário. No Rio de Janeiro, a concessão de incentivos fiscais vem atraindo empresas de tecnologia para a Ilha do Governador. No interior de São Paulo, o bom planejamento e o investimento em educação fizeram de São Carlos a cidade com a maior proporção de doutores na América Latina. Uma empresa que surgiu como projeto de pesquisa no câmpus local da USP hoje fatura 100 milhões de reais por ano produzindo lentes de alta precisão para equipamentos eletrônicos. “Há boas iniciativas nos estados, mas ainda falta ousadia. Os municípios, em especial, onde os cidadãos vivem seu cotidiano, deveriam ser laboratórios de políticas públicas e funcionar como um modelo para a União”, afirma D’Ávila.
Os pesquisadores se debruçaram, ainda, sobre a maneira como os estados brasileiros lidam com a questão ambiental. A preservação é, atualmente, um ponto central para a atração de investidores. Nesse quesito, a força das instituições também se mostra decisiva. A fiscalização diligente, uma legislação rigorosa e o incentivo a estudos na área dão um lugar de destaque ao Amazonas. Já o vizinho Pará ocupa o último lugar devido à frouxidão de seus sucessivos governos em relação aos devastadores. É preciso semear modelos de gestão por todas as unidades da federação, se não quisermos perder o trem de alta velocidade da história. É essa a lição do ranking aos governantes.
Veja o ranking abaixo:









Comentários
joseh vinicius
cadê a Dilma? cadê os ministros? essas fiscalizações tem que existir de cima pra baixo, essas coisas acontecem por causa da falta cobranças em cima de governadores, senadores. E com consequência disso havera cobrança em cima de prefeitos e vereadores... E também prescisamos de leis mais severa em relação a parte politica do (..)
29.02.2012
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Hildemar
É uma vergonha uma cidade como URUÇUI-PI, conhecida como a capital da soja, porem abandonada pelo puder púlblico estar sempre a ponta de pecimas noticias como esta, é obrigado usar o estado vizinho para escoa sua produção de soja porque o estado estar só a 30 trinta anos construindo um porto,eu só queria ver a cara dos polit(..)
27.02.2012
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Marcelo Soares
Cresci em SP, estudei em MG e trabalho no MT e posso dizer que o comentário de Tomas foi bem colocado.
29.12.2011
Antonio Pacheco
As conclusões apontadas por Veja que classifica Mato Grosso em 14º lugar não espelha a realidade sobre o ambiente econômico, estrutural, social e político do Estado. As deficiências apresentadas pelo estado são pontuais e em níveis que não comprometem nem impedem que os investimentos sejam lucrativos em todos os setores prod(..)
28.12.2011
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Tomas Bottel
São Paulo é a boa e moderna locomotiva do Brasil, principalmente pela mentalidade que favorece a independência da região. O Estado deve facilitar a vida do empreendedor, caso contrário ele irá empreender em outro lugar, tanto faz se ele é gringo ou nacional. O parecer de uma publicação do nível do "The Economist" deve ser re(..)
28.12.2011
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Carlos Xavier
O provincianismo e o bairrismo, praticado ao extremo pelo povo paulistinha, faz com muitas informações sejam deturbadas e virem desinformação. As melhores escolas de nível superior no Brasil, em qualidade e quantidade, então em Minas Gerais. Isto há décadas. Toda informação, que que cita o estado de São Paulo, passada por pe(..)
27.12.2011
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REINALDO CHAVES DA SILVA
É LAMENTAVEL VER O MARANHÃO ENTRE OS ESTADOS COM OS PIORES INDICADORES SOCIAIS DO BRASIL.QUEM VISITA SÃO LUIS, CAPITAL DO ESTADO, SAI DAQUI DECEPCIONADO, TEMOS UMA CIDADE SUJA E COMPLETAMENTE ABANDONADA PELO PODER PUBLICO. SÃO LUIS ATÉ PARECE QUE SOFREU UM VIOLENTO BOMBARDEIO AEREO, DE TÃO ESBURACADA QUE ESTÁ. ENFIM,O ESTADO(..)
27.12.2011
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