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Caso Yoki

Amante de Matsunaga diz que ele tinha medo de Elize

Depoimento de Natália, a garota de programa que vinha sendo procurada por Matsunaga, pode atrapalhar a tese de crime passional da defesa

Valmar Hupsel Filho
Marcos Matsunaga aparece no vídeo feito por detetive particular com a nova amante, a garota de programa Natália, pivo da briga que resultou em seu assassinato pela mulher, Elize Araújo Matsunaga

Marcos Matsunaga aparece no vídeo feito por detetive particular com a nova amante, a garota de programa Natália, pivo da briga que resultou em seu assassinato pela mulher, Elize Araújo Matsunaga (Reprodução de vídeo)

O depoimento da amante de Marcos Ktiano Matsunaga, pivô do assassinato do empresário pela mulher, Elize Araújo Matsunaga, pode atrapalhar a estratégia da defesa de alegar que ela agiu por impulso num momento de intensa emoção. Ouvida pela polícia no último dia 8, a garota de programa de 23 anos, identificada apenas como Natália, relatou que o empresário dizia ter medo do que Elize poderia fazer contra ele. Segundo Natália, que usava o codinome Lara quando anunciava seus serviços num site de garotas de programa, Marcos chegou a afirmar que Elize estava passando por um tratamento psicológico em função de um trauma de infância. 

Natália prestou depoimento ao delegado responsável pela investigação do assassinato e esquartejamento do corpo de Marcos Matsunaga, Mauro Dias, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no último dia 08. Segundo seu depoimento, Marcos disse a ela que o reverendo Renê Götz, da Igreja Anglicana que o casal frequentava, havia aconselhado o empresário a procurar atendimento psicológico, porque a esposa “não estava bem psicologicamente”. Segundo ela, Marcos dizia que pretendia se separar de Elize e deixar a filha do casal, de um ano de idade, sob a guarda da mãe.

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Apesar do teor das revelações, que indicam que o casamento atravessava turbulências já há algum tempo e enfraquecem a tese de crime puramente passional, a polícia não pretende tomar novos depoimentos e considera a investigação encerrada.  São aguardados apenas os resultados dos exames periciais e laudo do Instituto Médico Legal (IML) para que o inquérito seja encaminhado, provavelmente até o final da semana que vem, ao Ministério Público.

Quartos seprados - A garota de programa, também deu detalhes de seu relacionamento com o empresário. Ela disse que Marcos telefonava e mandava “mais de dez mensagens por dia”. As mensagens, segundo ela, eram enviadas inclusive quando Marcos estava em casa. Ele teria dito à amante que há mais de um mês já não dormia no mesmo quarto da esposa. 

Natáila anunciava seus serviços como protistuta no mesmo site que era usado por Elize antes de se casar com Marcos. Foi por esse caminho que ela e o empresário se conheceram, no dia 13 de fevereiro deste ano. E passou a se encontrar semanalmente com ele, sempre às 14 horas, no flat onde ela mora. Pelo serviço, Marcos Matsunaga pagava à acompanhante a quantia de 4 mil reais mensais. 

Marcos ocupava cada vez mais o tempo de Natália, segundo ela, de forma que ela passou a ter dificuldades para atender a outros clientes. Ela comentou à polícia que Marcos era muito carente e contava muita coisa sobre ele, seu trabalho e seu relacionamento com Elize. Passaram a almoçar e a jantar juntos e, durante as conversas, Marcos relatou à amante que seu casamento não ia bem.

Ele, informou Natália à polícia, chegou a mostrar marcas de arranhões no braço feitas por Elize durante uma das brigas. Marcos relatou a Natália, segundo ela, que Elize implicava com a outra filha que ele tinha, fruto do primeiro casamento.

Em duas oportunidades, Natália diz ter viajado com o empresário. Em abril, Marcos e Natália passaram dois dias passeando em Montevidéu, no Uruguai. No início deste mês, Marcos a levou para conhecer uma fábrica da Yoki, em Marília, no interior de São Paulo. Na fábrica, ela foi apresentada como uma cliente, compradora de amendoins. 

Exclusividade - Também no início de abril, Marcos e Natália fecharam um acordo para que ela tirasse as fotos do site em que anunciava seus serviços, e ficasse exclusivamente com ele. Para isso, o empresário pagaria a ela uma mesada de 27 mil reais. A primeira parcela foi paga no dia 04 de abril, data em que as fotos sensuais foram suprimidas do site. Marcos também presenteou a amante com uma caminhonete Mitsubishi Pajero TR-4, o mesmo modelo de veículo que havia dado a Elize, avaliado em cerca de 80 mil reais.

A partir daí, contou Natália em seu depoimento, Marcos passou a procura-la com mais frequência, chegando a passar nove horas seguidas com ela. O empresaário evitava chegar cedo em casa para não se envolver em briga com Elize, contou. Apesar de todas as demonstrações financeiras de apreço dadas pelo empresário, Natália disse que não pretendia se envolver definitivamente com ele. Ela teria chegado a aconselhar Marcos a não se separar de Elize, com medo de perder a privacidade.

Assista a seguir imagens do vídeo produzido pelo detetive contratado por Elize:

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