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Vídeo flagra tensão entre forças russas e ucranianas na Crimeia

Premiê da república autônoma fala em ‘rendição’ de tropas ucranianas. Rússia realiza teste com míssil balístico

Um vídeo divulgado nesta terça-feira mostra que a tensão entre forças russas e ucranianas na região da Crimeia, que se tornou o principal foco de preocupação das potências internacionais depois da destituição do presidente Viktor Yanukovich. Nas imagens, soldados ucranianos marcham em direção aos russos em uma base perto do aeroporto de Belbek. Um tanque russo e três homens bloqueiam a via e, diante da aproximação dos ucranianos, um dos homens começa a disparar tiros de advertência.

Depois de um momento de hesitação, os soldados ucranianos, que estavam desarmados, continuaram a avançar, cantando o hino do país e carregando uma bandeira da Ucrânia e uma da antiga União Soviética. Mas os disparos também continuaram, e um dos ucranianos chega a gritar: “Esta é a bandeira soviética, você vai atirar na bandeira soviética!” Os russos continuam a gritar que vão atirar, enquanto os ucranianos respondem de forma desafiadora: “Vamos, atirem”.

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O comandante da base, coronel Yuli Mamchur, inicia uma negociação com o oficial russo que se identifica apenas como Roman. Depois de cerca de meia hora, segundo o jornal The New York Times, alguns soldados ucranianos – de cerca de 200 – conseguiram entrar na base.


Mapa da Crimeia

Mapa da Crimeia (VEJA)

Rendição – O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, disse nesta terça que a maior parte das unidades militares ucranianas na península se renderam e prometeram lealdade ao governo pró-Rússia da república autônoma. A informação foi negada pelo Ministério da Defesa ucraniano.

Aksyunov, coordenador do partido político Unidade Russa, foi designado chefe da administração regional na última quinta-feira, depois que homens armados invadiram o Parlamento e içaram uma bandeira russa no alto do prédio. Para ele, forças ucranianas renderam lealdade ao governo local em número suficiente para eliminar a ameaça de uma insurreição armada.

Enquanto o presidente russo Vladimir Putin insiste em negar o envolvimento de tropas russas na crise da Ucrânia, muitos dos veículos que transportam soldados na Crimeia têm placas que os identificam como veículos militares russos. (Continue lendo o texto)

Teste com míssil – Em meio à tensão na Crimeia, o Exército russo anunciou o lançamento de um míssil balístico intercontinental. Segundo o Ministério da Defesa, um míssil Topol RS-12M foi lançado de forma bem-sucedida da base de testes russa Kapustin Yar, perto do mar Cáspio, para a base Sary Shagan, no Cazaquistão. “O objetivo do lançamento foi testar um míssil balístico intercontinental promissor”, afirmou o ministério.

Os Estados Unidos já sabiam da realização do teste, como exigem os tratados bilaterais sobre armamentos, informou a rede britânica BBC. Esse tipo de lançamento é planejado com antecedência, mas não deixa de adicionar mais combustível à crise.

Apresentadora – Outro vídeo que chamou a atenção nesta terça-feira foi o que mostra uma apresentadora do canal Russia Today (RT), emissora internacional financiada pelo governo russo, surpreendendo ao criticar a intervenção russa na península ucraniana. Abby Martin disse que “não poderia expressar de maneira mais enfática que sou contra qualquer intervenção em assuntos internos de uma nação soberana”. “O que a Rússia fez é errado”, disse a âncora, que trabalha em Washington. Ela afirmou ainda que não conhece a história da Ucrânia e a dinâmica econômica da região “como deveria”, mas que sabe que “a intervenção militar nunca é a resposta”. “Não vou sentar aqui e desculpar ou defender uma agressão militar”.

Procurado para comentar o assunto, o canal RT respondeu à versão britânica do site Huffington Post dizendo que não haverá “reprimendas” contra a jornalista. A nota conclui que “no seu comentário, Martin disse que não possui conhecimento profundo sobre a situação da Crimeia. Então, nós vamos mandá-la para a Crimeia para que ela tenha a oportunidade de tirar suas próprias conclusões sobre o epicentro dos acontecimentos”.

O NYT lembrou que os comentários da apresentadora, se foram surpreendentes para um canal que não critica o Kremlin, podem não ter surpreendido os que conhecem a comentarista, que já declarou que os ataques terroristas de 11 de setembro foram parte de uma conspiração do governo e que, antes de ganhar espaço em um canal americano da rede russa, era membro de um movimento que alimenta a teoria conspiratória.