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Príncipe Charles tem encontro histórico com dirigente do Sinn Fein

O herdeiro do trono britânico e Gerry Adams, chefe do partido republicano irlandês se cumprimentaram em Galway, cidade em que o tio-avô de Charles foi assassinado pelo IRA

O príncipe Charles, da Grã-Bretanha, reuniu-se nesta terça-feira com Gerry Adams, principal dirigente do partido republicano irlandês Sinn Fein (‘nós mesmos’, em gaélico), antigo inimigo de Londres, em mais um passo para a reconciliação. Os dois apertaram as mãos e se mostraram sorridentes durante o encontro em uma universidade de Galway, oeste de Irlanda. “Sempre que venho à Irlanda me sinto emocionado e impressionado com a extraordinária amabilidade dos irlandeses”, disse Charles em um discurso na universidade.

A cidade de Galway, local do encontro, foi palco do atentado matou o tio-avô de Charles, em 1979. Lorde Mounbatten foi morto por uma bomba perpetrado pelo IRA (a guerrilha republicana irlandesa, que lutava pela independência do país), o braço armado do Sinn Fein. Três outros pessoas, incluindo um menino de 14 anos que era afilhado de Charles, também foram mortas quando o IRA explodiu um barco que Mountbatten, que foi comandante do Exército britânico na II Guerra Mundial, estava usando durante as férias na região.

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Em importância simbólica, o gesto fica atrás apenas do cumprimento da rainha Elizabeth II com o ex-chefe do IRA, Martin McGuiness, em 2012 em Belfast. O Sinn Fein original foi fundado no início do século passado para lutar pela independência da Irlanda do Reino Unido, o que aconteceu em 1922. O conflito então prosseguiu depois na chamada Irlanda do Norte, no norte da principal ilha britânica, que o IRA desejava unir a Dublin.

A Irlanda do Norte permanece britânica, mas o conflito entre republicanos e unionistas acabou em 1998 com os ‘Acordos da Sexta-Feira Santa’. A rainha visitou a Irlanda em 2011, na primeira viagem de um monarca britânico à Irlanda independente. Apesar do fim do IRA, a segurança foi reforçada para a visita de Charles. A polícia informou na semana passada que deteve seis pessoas após encontrar armas de fogo, munição e várias bombas de fabricação caseira durante uma operação.

Embora não houve confirmação oficial, a imprensa irlandesa assegura que uma cisão republicana planejava atentar contra uma base militar do Exército britânico durante a visita de Charles e Camilla Parker Bowles, a duquesa da Cornualha, sua mulher.

(Da redação)