Premiê britânico apresenta quatro demandas para permanecer na UE

Caso seus pedidos forem aceitos, David Cameron se compromete a defender publicamente a permanência da Grã-Bretanha na UE antes do referendo marcado para 2016

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, apresentou nesta terça-feira a Bruxelas suas quatro demandas para pedir o voto a favor da permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) no referendo que deve acontecer em junho de 2016. Cameron solicita a proteção dos direitos e mais autonomia política e financeira dos países da UE que não integram a zona do euro; que a Grã-Bretanha fique de fora das próximas etapas para uma integração europeia maior; o fortalecimento da competitividade do mercado único e, por fim, permissão para que Londres imponha limites à imigração dentro da Europa.

As alterações permitiriam, por exemplo, que a Grã-Bretanha restrinja pagamentos de benefícios sociais a imigrantes vindos de outros membros do bloco. Outro ponto, que pode provocar divergências, é que o país quer controlar a imigração, podendo barrar imigrantes da UE e impedi-los de obter alguns benefícios durante quatro anos – algo que hoje é proibido pela legislação europeia vigente. Londres também critica a lenta burocracia de Bruxelas e pleiteia mais poder para os Parlamentos nacionais.

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O premiê enumerou suas condições em um discurso na Chatham House, uma prestigiosa organização de debates britânica, e enviará uma carta com as demandas ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Cameron expressou sua confiança em obter seus objetivos, mas esclareceu que quer que as reformas “sejam legalmente vinculantes e irreversíveis”, e que “não se limitem a boas palavras”. “Tenho toda a confiança de que conseguiremos um bom acordo para a Grã-Bretanha e para seus sócios europeus”, afirmou.

O referendo para decidir o futuro britânico na UE foi um dos principais temas da campanha eleitoral que reelegeu os conservadores liderados por Cameron. Há na Grã-Bretanha uma forte corrente política defendendo a saída do país da União Europeia. A proposta vem sendo chamada de “Brexit”, um neologismo que combina as palavras “Britain exit”, ou “saída britânica”, em tradução livre. Uma possível saída da segunda economia do bloco europeu (atrás somente da Alemanha) teria consequências econômicas e políticas imprevisíveis, com o risco da ação incentivar outros países a também deixar a UE.

(Da redação)