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Pré-candidato nos EUA, Ron Paul pode perder por ideias radicais

Miriam Burgués.

Washington, 30 dez (EFE).- O congressista Ron Paul, pré-candidato presidencial republicano nos Estados Unidos e a quem muitos consideram como o ‘pai espiritual’ do movimento direitista Tea Party, é acima de tudo um ultraliberal convencido e antibelicista.

Paul, de 76 anos e médico por formação, é um purista constitucional, partidário de reduzir ao mínimo o tamanho do Governo, e que defende uma política externa não expansionista, a volta ao patrão ouro, a abolição dos impostos sobre a renda e a liberdade de mercado.

Em 1988, ele aspirou à Presidência pelo Partido Libertário e em 2008 ele tentou em vão conseguir a candidatura republicana. Imóvel em suas ideias, inclusive em tempos de mudança, ele praticamente ‘pregou no deserto’, até que alguns de seus projetos começaram a ser adotados pelo Tea Party.

Por isso, muitos veem nele o pai espiritual do movimento, que de fato o elegeu no final de fevereiro, em uma convenção realizada em Phoenix (Arizona), como favorito para a corrida pela Casa Branca.

O Tea Party defende a mínima intervenção estatal e austeridade fiscal, em sintonia com os ultraliberais que defendem as liberdades individuais e um Estado com poucas competências que não se intrometa na vida dos cidadãos.

Paul também é um antibelicista declarado que votou no Congresso contra a Guerra do Iraque, e adverte agora que uma eventual intervenção militar no Irã para frear seu programa nuclear seria menos útil para os EUA, em parte pelo grande déficit do país.

É conhecida, além disso, sua proposta de suprimir o Federal Reserve (banco central dos EUA), o qual classifica como ‘desonesto, imoral e inconstitucional’.

Sua política migratória rejeita a anistia, defende aumentar o controle das fronteiras e eliminar o direito à cidadania por nascimento.

Ronald (Ron) Ernest Paul nasceu em 20 de agosto de 1935 em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia. É formado em Medicina pela Universidade de Duke e se casou em 1957 com Carol Wells, com quem tem cinco filhos e 18 netos. Um de seus filhos, Rand, pertence ao Tea Party e é senador por Kentucky desde 2010.

Nos anos 60 foi cirurgião de voo na Força Aérea e no final da década se mudou para o Texas, onde atuou como especialista em obstetrícia e ginecologia, sempre sob o manto de sua oposição ao aborto.

Ainda hoje vive no Texas, e é neste estado onde desenvolveu sua carreira política que começou em 1976 quando foi eleito pela primeira vez para ocupar uma cadeira na Câmara de Representantes.

Em 1977 perdeu a cadeira, mas um ano depois voltou a ganhar e manteve até 1984, quando após fracassar em uma tentativa de entrar no Senado, decidiu retomar a medicina.

Em 1996 foi eleito novamente congressista pelo Texas na Câmara de Representantes, onde continua atualmente. Este ‘campeão da Constituição’, como o define o site de sua campanha, nunca vota a favor de um projeto de lei na Câmara Baixa a menos que esteja ‘expressamente autorizado’ pela Carta Magna.

Autor de vários livros, entre eles ‘A Foreign Policy of Freedom: Peace, Commerce and Honest Friendship’ (Uma Política Externa de Liberdade: Paz, Comércio e Amizade Verdadeira, 2007), ‘The Revolution: A Manifesto’ (A Revolução: Um Manifesto, 2008) e ‘End the Fed’ (O fim do Fed, 2009, com versão em português), Paul foi ganhando força nas pesquisas das últimas semanas.

Em Iowa, que abre em 3 de janeiro um longo processo de primárias republicanas, Paul brigará pela vitória com o ex-presidente da Câmara de Representantes Newt Gingrich e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, segundo as enquetes mais recentes.

Entretanto, ele pode sofrer as consequências da polêmica dos últimos dias por velhos boletins noticiários carregados de preconceito contra negros, judeus e homossexuais, e escritos supostamente por ele nos anos 80 e 90.

Embora Paul negue ter escrito alguns dos comentários e diz que outros foram tirados de contexto, seus adversários, especialmente Gingrich, pediram que se explique e esclareça suas posturas.

Também joga contra ele o que apontam alguns analistas, que os Estados Unidos não estão preparados para um presidente com ideias tão radicais como as de Ron Paul. EFE