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Israel recomenda que 100 mil palestinos deixem suas casas

Exército israelense comunica população do norte da Faixa de Gaza por telefone, SMS e panfletos. Primeiro-ministro sofre pressão para intensificar os ataques

O Exército israelense recomendou nesta quarta-feira que cerca de 100.000 habitantes do norte da Faixa de Gaza, cenário de uma ofensiva israelense que deixou mais de 200 mortos desde a semana passada, abandonem suas casas, informaram fontes militares. A medida afeta os habitantes das cidades de Zeitun, Shujaiya e Beit Lahiya. Eles receberam ligações telefônicas, mensagens por SMS e panfletos informando que as regiões vão sofrer ataques, segundo comunicado do Exército.

“Apesar do cessar-fogo, o Hamas e outras organizações terroristas continuaram lançando foguetes, muitos deles procedentes destas três zonas”, afirmam as mensagens do Exército. “Para sua própria segurança, solicitamos que abandonem suas residências imediatamente antes das 8h (2h de Brasília)”, afirmam os panfletos. A mensagem destaca que o Exército “não quer causar dano” aos habitantes destas cidades.

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Também nesta quarta, o governo da França apresentou a proposta de uma ajuda de fronteira nos pontos de passagem entre Gaza e Israel, anunciou chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius. O objetivo da iniciativa é permitir aos palestinos acesso a remédios, alimentos e assistência durante o conflito.

Bombardeios – Nesta terça, Israel retomou os bombardeios contra a Faixa de Gaza, depois de uma breve trégua, intensificando seus ataques após o registro da primeira vítima israelense. Ataques aéreos mataram mais cinco palestinos na madrugada desta quarta, segundo fontes médicas, elevando o número de óbitos no território a 202. O bombardeio de uma casa na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matou dois homens, e outro ataque aéreo vitimou um jovem na mesma região, disse o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf al Qedra.

Em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, a aviação israelense matou um homem e um jovem de 19 anos nesta madrugada, acrescentou o porta-voz. Horas antes, aviões israelenses bombardearam a casa de um alto dirigente do Hamas, Mahmoud al-Zahar, na cidade de Gaza, mas não havia ninguém na residência. Ao menos dois mísseis atingiram a casa de quatro andares de Al-Zahar, destruindo o prédio e causando danos a uma mesquita e a residências vizinhas, segundo testemunhas.

Os ataques israelenses também atingiram na cidade de Gaza a casa de Bassem Naim, outro alto dirigente do Hamas, e as residências em Jabalia, no norte, do ex-ministro da Saúde Fathi Hammad e do deputado Ismail Al Ashqar. A rejeição por parte do Hamas da iniciativa egípcia de cessar-fogo obrigou Israel a “expandir e intensificar” suas operações militares em Gaza, declarou na terça o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Tensões no governo – O Exército israelense se mantém mobilizado perto de Gaza, com 40.000 reservistas preparados para uma eventual invasão terrestre. A forma como as operações estão sendo realizadas vem causando tensões no governo de Israel, e levaram Netanyahu a destituir o vice-ministro da Defesa, Danny Danon, da ala mais à direita de seu partido, o Likud, que havia taxado a intervenção militar de “fracasso”. Outro importante nome conservador, o ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, pediu que “a operação só acabe quando o Exército estiver no controle de toda a Faixa de Gaza”, de onde se retirou unilateralmente em 2005. Netanyahu respondeu, considerando que as decisões devem ser “tomadas com paciência, sem precipitação”.

Diplomacia – O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, convocou as duas partes a um cessar-fogo. Está previsto que Abbas viaje à Turquia, uma aliada dos palestinos, e depois ao Egito para abordar a situação de Gaza, segundo fontes palestinas. O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, iniciou nesta terça uma breve visita a Israel e à Cisjordânia, onde se reunirá com Abbas. A ministra italiana das Relações Exteriores, Federica Mogherini, também chegou a Israel para tentar negociar uma solução pacífica.

(Com agência France-Presse)