Grupos jihadistas assumem controle de cidade natal de Saddam Hussein

Para especialistas, radicais estão próximos de atingirem seu objetivo: a criação de um Estado islâmico em uma região localizada entre o Iraque e a Síria

Grupos jihadistas tomaram nesta quarta-feira o controle da cidade de Tikrit, cidade natal do falecido ditador Saddam Hussein e capital da província de Saladino, informaram fontes de segurança locais à rede CNN. Os grupos armados, com destaque para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), invadiram a cidade, localizada a 160 quilômetros de Bagdá, após enfrentar as forças armadas iraquianas, que se retiraram. Um porta-voz do Ministério do Interior disse que “a situação é confusa” e que “os terroristas conseguiram entrar na cidade pelo norte e tomaram alguns edifícios”. No entanto, o funcionário afirmou que ainda estão ocorrendo enfrentamentos em algumas partes de Tikrit entre os radicais e as forças iraquianas. A região de Tikrit abriga as maiores refinarias de petróleo do Iraque e é uma região economicamente estratégica para o país.

Os jihadistas tomaram ontem a segunda maior cidade do país, Mosul, capital da província de Ninawa e localizada a cerca de 400 quilômetros ao norte de Bagdá, em um avanço sem precedentes em território iraquiano. Além de controlar Ninawa, os milicianos estenderam sua área de atuação para as províncias de Kirkuk e Saladino, ao norte da capital, onde ontem ocuparam várias localidades.

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Nesta quarta, o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, classificou os eventos de “conspiração”, pois as forças de segurança não resistiram aos agressores. Maliki pediu que os cidadãos enfrentem voluntariamente os radicais. O EIIL, que pretende criar um emirado islâmico entre o Iraque e a Síria, ameaçou hoje prosseguir com “suas conquistas”. O reduto iraquiano da organização fica na província de Anbar, no oeste do país, de maioria sunita e cenário nos últimos meses de enfrentamentos entre os insurgentes e o exército.

“A perda da província de Ninawa abre um corredor para os islamitas entre a província de Anbar, Mosul e a fronteira com a Síria, a fim de facilitar a circulação de armas, dinheiro e combatentes entre as frentes de combate”, resume John Drake, analista de segurança do Grupo AKE, especializado em consultoria política e de riscos. “Os grupos armados querem estabelecer um Estado islâmico” que inclua Mosul, as províncias de Saladino, Dijalah e Anbar, do lado iraquiano, e Deir Ezzor e Raqa, do lado sírio, segundo Aziz Jabr, professor de ciência política na Universidade de Mustansiriyah de Bagdá. Os grupos islâmicos mantém também o controle de Fallujah e partes de Ramadi, ambas as cidades na área central do país, próximas à capital Bagdá. “A guerra civil na Síria deu a estes combatentes uma oportunidade de se organizarem para ocupar os territórios. Pelo que temos visto, as sucessivas vitórias incentivaram seus partidários, que perceberam que este [criação de um Estado islâmico] é um objetivo ao seu alcance”, conclui Brake. (Continue lendo o texto)

Arte/VEJA

Mapa da área de influência do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL)

Mapa da área de influência do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) (VEJA)

Mapa da área de influência do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL)

Um xeque tribal da região, Mohammed al Biyari, disse à agência EFE por telefone que participam da ofensiva o EIIL e “outros grupos jihadistas que lutaram contra a ocupação americana”, que agora enfrentam um “regime que cometeu muita injustiça contra o povo iraquiano”.

Reféns – Combatentes islamitas atacaram nesta quarta o consulado turco de Mosul e tomaram 48 reféns, entre eles o chefe da missão diplomática, informou um funcionário do governo turco. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, convocou nesta quarta-feira uma reunião de emergência com o vice-primeiro-ministro e o chefe dos serviços secretos, segundo a mesma fonte. “Nossas informações apontam que os diplomatas foram levados ao quartel-general do EIIL em Mosul”, confirmou o funcionário turco.

Um funcionário da polícia iraquiana, que pediu o anonimato, declarou que um dos sequestradores informou que os jihadistas interrogavam o cônsul, seus adjuntos e seus seguranças, e que transferirão o chefe da missão diplomática “a um local seguro”. Além dos funcionários diplomáticos, ao menos 28 caminhoneiros turcos estão desde terça-feira nas mãos dos combatentes jihadistas que tomaram o controle de Mosul.

(Com agências EFE e France-Presse)