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Depois de ataques e falhas, eleição recomeça na Nigéria

Pleito foi adiado no país por falhas em sistema de leitura de 'cartões de votação'. No sábado, atentados do Boko Haram mataram dezenas em todo país

Em um pleito marcado por ataques do grupo terrorista Boko Haram e falhas no novo sistema de votação, os colégios eleitorais voltaram a abrir na Nigéria neste domingo para dar prosseguimento as eleições que definirão o novo presidente do país. No sábado, atentados terroristas mataram dezenas de pessoas em zonas eleitorais. Também houve relatos de decapitações. Os jihadistas ainda desfilaram com armas em povoados do nordeste do país e forçaram os eleitores a abandonar as sessões de votação.

O adiamento da votação afeta cerca de 300 colégios eleitorais de um total de 150.000, explicou o porta-voz da Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC), Kayode Idowu. Alguns destes colégios eleitorais abriram suas portas às 8 horas locais (4 horas em Brasília) para credenciar os cidadãos que não puderam fazê-lo no sábado. Com o sistema eletrônico de credenciamento criado especificamente para estas eleições, os nigerianos, antes de votarem, devem validar seus “cartões de voto” através de um leitor eletrônico que também comprova sua impressão digital. Em alguns centros, os leitores de cartões não funcionaram e os atrasos nas votações foram muito significativos.

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A fim de evitar novos erros no sistema, a comissão eleitoral autorizou que, se os leitores continuarem funcionando mal, os cartões dos eleitores sejam comprovados manualmente. As eleições presidenciais, que deviam ter acontecido em 14 de fevereiro, foram adiadas justamente para tentar garantir a segurança dos cidadãos.

Disputa – Quase 60 milhões de pessoas estão habilitadas a votar no país. Catorze candidatos concorrem à presidência, incluindo o atual presidente, Goodluck Jonathan, e o ex-ditador Muhammadu Buhari, que são tidos como os favoritos. Os nigerianos também irão eleger integrantes do Parlamento.

A votação continuará no domingo em algumas áreas onde não foi possível fazer a leitura biométrica dos eleitores – nem mesmo o presidente Jonathan conseguiu votar em Otuoke usando o novo método, tendo que fazê-lo manualmente. A extensão do pleito inclui algumas regiões de Lagos, megalópole de 20 milhões de habitantes na costa atlântica do país. Por causa de blecautes de rotina, a contagem dos votos nos locais em que o pleito já foi encerrado é feita com a ajuda de faróis de carros.

(Da redação)