Miguel Andorffy, o Salman Khan brasileiro

Um dos vencedores do Prêmio Jovens Inspiradores, o gaúcho segue os passos do guru das vídeo-aulas e leva operações matemáticas ao YouTube

Promovido por VEJA.com e Fundação Estudar, o Prêmio Jovens Inspiradores pretende revelar líderes para o Brasil. Ao longo de 2012, selecionou estudantes ou recém-formados com espírito de liderança e compromisso com a excelência. Os vencedores ganharam iPads, bolsas de estudo no exterior e orientação profissional (mentoring)

A trajetória de Salman Khan, o americano que se tornou fenômeno educacional ao publicar vídeo-aulas na internet, começou sem grandes pretensões. Em 2004, uma de suas primas lhe pediu ajuda com os estudos de matemática. Como a menina vivia em Nova Orleans, no estado de Luisiana, e ele em Boston, no Massachusetts, onde estudava engenharia elétrica e ciência da computação, Khan passou a gravar suas aulas e colocá-las no YouTube. Por telefone, ele complementava as explicações. Em pouco tempo, a prima pediu que ele parasse de ligar: as lições via internet eram suficientemente claras e muito mais divertidas. Ela não era a única a gostar do jeito simples e direto com que Khan abordava assuntos áridos. Àquela altura, Salman Khan já acumulava centenas de seguidores e logo chamou a atenção dos gigantes do Vale do Silício, entre eles Bill Gates. Hoje, a Khan Academy disponibiliza mais de 3.700 vídeos sobre mais de 40 áreas distintas do saber.

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Tão despretensiosos quanto os primeiros vídeos de Khan na web eram os vídeos do estudante de engenharia elétrica Miguel Andorffy, de 22 anos (assista ao vídeo). Aluno da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele tinha facilidade com a disciplina de cálculo, um terror para a maioria dos estudantes. A destreza com os números lhe rendeu já no segundo semestre de aulas um emprego de professor em um curso particular de reforço. “Passei a lidar com pessoas que já foram reprovadas mais de uma vez nas disciplinas de cálculo e estão a ponto de desistir da faculdade. Graças às aulas, elas conseguem aprovação – não raro, com conceito máximo”, diz Miguel.

Entusiasmado com os resultados em sala de aula, Miguel compartilhou na internet algumas de suas lições de cálculo. Com menos de 300 reais, montou um aparato simples com uma webcam que capta a imagem de uma folha em branco, sobre o qual escreve o jovem professor. A exemplo de Khan, o rosto de Miguel não vem à luz, apenas sua voz narra os traços no papel. O jovem esperava algumas dezenas de visualizações nas primeiras semanas. Para seu espanto, seu canal do YouTube foi acessado milhares de vezes no primeiro mês. Nasceu assim o Me Salva!

Atualmente, mais de um ano depois de seu lançamento, o projeto registra cerca de 10.000 visualizações por dia. Além das aulas de cálculo, oferece também conteúdos de química e física, graças à ajuda de parceiros. O desafio agora é ingressar no campo das ciências humanas.

O Me Salva! é a resposta de Miguel a uma demanda urgente: oferecer, de forma clara e acessível, conhecimento para quem precisa dele. Foi justamente essa a idea que Miguel defendeu na fase final do Prêmio Jovens Inspiradores, quando os candidatos devem apresentar estratégias de ação para vencer desafios em áreas previamente estabelecidas. “Nosso sucesso revela a carência de materiais de qualidade e eficácia nesse segmento”, disse Miguel. “Sempre tive muita vontade de ser professor. Mas eu não podia esperar até eu me formar, fazer mestrado, depois doutorado e só então entrar na sala de aula como professor.”

Tornar-se professor significou, para Miguel, vencer mais um desafio. “Eu tinha muita dificuldade em acreditar em mim mesmo”, diz. A autoconfiança começou a se estabelecer a partir de outra área, o esporte. Há alguns anos, Miguel, que tinha asma e mal nadava, foi convidado por um treinador de natação para aventurar-se nas piscinas. Ele aceitou o desafio. Após um ano de treino, ele saiu das últimas colocações dos campeonatos regionais para ocupar o segundo lugar gaúcho na modalidade costas. Foi assim também com o Prêmio Jovens Inspiradores. Miguel concorreu com mais de 8.000 inscritos na primeira fase, disputando as etapas seguintes até ser apontado um dos quatro grandes vencedores. “Não enxergo o sucesso de um projeto somente no final, com a conquista de uma medalha. Para mim, existe prazer na trajetória.”

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