Satélite da Nasa detecta nevascas de dióxido de carbono em Marte

Sonda encontrou nuvens da substância, que precisa estar a 120ºC negativo para congelar, no polo sul do planeta vermelho

Dados coletados por um satélite em órbita de Marte indicaram a ocorrência de nevascas de dióxido de carbono no planeta. O fenômeno difere da precipitação de neve observada na Terra, composta por água, uma vez que o dióxido de carbono precisa de pelo menos 120ºC negativos para congelar na atmosfera de Marte (o dióxido de carbono solidificado também é conhecido por ‘gelo seco’). A descoberta faz de Marte o único planeta em todo o sistema solar onde esse tipo ocorrência é conhecido.

A conclusão foi apresentada nesta segunda-feira. A coleta de informações foi feita pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Em 2008, outro satélite de pesquisa na órbita marciana, conhecido por Phoenix, forneceu aos cientistas indicações de que no polo norte marciano havia queda de neve na forma de água congelada, similar ao que acontece na Terra.

A MRO forneceu informações sobre a temperatura, o tamanho das partículas de dióxido de carbono e sua concentração durante o inverno no hemisfério sul marciano entre 2006 e 2007. Foi identificada uma grande nuvem de dióxido de carbono com aproximadamente 500 quilômetros de diâmetro, além de outras nuvens menores. “As partículas congeladas de dióxido carbono são grandes o suficiente para caírem das nuvens”, comenta David Kassa, do Jet Propulsion Laboratory da Nasa.

A presença de dióxido de carbono gelado no polo sul de Marte já era conhecida pelos cientistas, mas esta é a primeira vez que se demonstra a existência de precipitações de neve dessa substância. A atmosfera marciana está composta por 95% de dióxido de carbono. Ao condensar-se nos polos, onde a temperatura costuma ser de 150ºC negativos, de acordo com a agência, o chamado ‘gelo seco’ cai em forma de neve.