Dor de cabeça, enjoo ou náuseas após a sessão? Você pode precisar de óculos

Médica explica o que deve ser feito para melhorar a experiência durante um filme exibido com a tecnologia 3D

“Quem passam mal durante ou depois de uma sessão de cinema 3D – e não utiliza óculos – deveria fazer exame de vista”, diz Mônica Cronemberger, oftalmologista da UNIFESP. “Uma pessoa com as vistas perfeitas dificilmente irá se sentir mal.”

É muito comum, segundo Mônica, pessoas com pequenos desvios na visão terem a falsa impressão de que não precisa de óculos. “A pessoa entende que enxerga bem e deixa os óculos na gaveta. Ela pode até ter uma dor de cabeça no fim do dia mas consegue lidar com isso”. No entanto, em um cinema 3D a história é diferente.

De acordo com a oftalmologista, as pessoas que possuem uma vista perfeita, sem desvios – como miopia, hipermetropia e astigmatismo – são capazes de enxergar diversos objetos em planos diferentes com a mesma nitidez, sem forçar a musculatura dos olhos. As pessoas que possuem algum tipo de desvio precisam compensar essa diferença forçando além da conta o sistema de músculos responsáveis pelo ajuste de nitidez. E com isso vêm as dores de cabeça, náuseas e enjoos. É aí que os óculos entram. Ao corrigir o desvio, as pessoas conseguem utilizar essa musculatura de maneira apropriada.

No cinema 3D, no entanto, o esforço exigido dos olhos é maior. “As imagens se aproximam e se distanciam mais rápido do que no mundo normal”, explica a médica. Como os olhos precisam focar os planos de imagens em uma velocidade desproporcional ao que estão acostumados, a musculatura é mais exigida. “É por isso que algumas pessoas saem do cinema dizendo que estão passando mal”, continua Mônica.

Para eliminar o problema, a oftalmologista recomenda que aqueles que possuírem desvio utilizem óculos durante as sessões de cinema. “As pessoas que usam óculos e vão ao cinema 3D devem usar o próprio óculos e, por cima, os óculos fornecidos pelo cinema, para assistir o filme sem problemas”.

Estrabismo – O estrabismo, alteração na visão que atinge principalmente crianças, não precisa ser motivo de preocupação para os pais que levam seus filhos a uma sessão de filme que utilize tecnologia 3D. Mônica explica que a experiência não causa nenhum dano à visão da criança, mas há um detalhe que precisa ser considerado. “É preciso que os pais entendam que os portadores de estrabismo enxergam o 3D como se fosse uma televisão normal”, esclarece a médica.

O que difere a imagem do cinema convencional para a imagem do cinema 3D é a noção de profundidade interpretada pelo cérebro humano. No convencional, vemos a imagem completamente chapada na tela do cinema. No 3D, é possível diferenciar objetos que estariam mais próximos da tela e outros que estariam ao fundo. Isso é possível porque os olhos fundem as duas imagens que chega em cada um deles.

No estrabismo, pelo menos um dos olhos do indivíduo está desalinhado. Isso impede que a fusão das duas imagens que chegam aos nossos olhos e são processadas pelo cérebro aconteça e consequentemente não há a percepção da profundidade. “Essas crianças tem noção de profundidade mas por outros mecanismos, como luz, distância entre objetos, só que a noção dela está longe da noção de uma pessoa com vistas saudáveis”, afirma a médica.