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Cientistas descobrem vírus da família do sarampo em morcegos

Cientistas que estudam morcegos encontraram dezenas de novos membros de uma família viral relacionada com doenças que afetam os humanos, e alertou para uma possível exposição, uma vez que os mamíferos cada vez mais perdem espaço nas florestas, sendo empurrados para as cidades.

Sessenta e seis novas espécies de paramixovírus, grupo viral que causa o sarampo e a caxumba e está por trás de três doenças que afetam o gado, tem o morcego como hospedeiro natural, afirmaram.

No entanto, desconhece-se se quaisquer dos vírus recém-descobertos representam uma ameaça ou sequer são transmitidos aos humanos, mas os especialistas pedem cautela.

O virologista Christian Drosten, da Universidade de Bonn, na Alemanha, e uma equipe de cientistas internacionais usaram modelagem matemática para rastrear a raiz dos paramixovírus entre animais selvagens.

Eles encontraram “a maior probabilidade” de que os morcegos sejam os hospedeiros originais e ancestrais, um reservatório onde estes vírus hibernam, disse Drosten à AFP a respeito das descobertas publicadas na revista Nature Communications.

A pesquisa descobriu 66 novas espécies que podem ser somadas ao clã do paramixovírus.

“O espectro genético dobrou”, disse Drosten à AFP. “Agora conhecemos a fonte, o ponto de onde vieram os vírus”, acrescentou.

Segundo o cientista, as descobertas têm implicações importantes para rastrear surtos de doença ou para campanhas de vacinação.

“Se você quer investigar quando o próximo vírus de pandemia (irá surgir), como ele vai se parecer, você precisa olhar no reservatório, na fonte dos vírus”, afirmou.

O estudo descobriu, ainda, “um espectro muito amplo e uma diversidade” de vírus relacionados com o patógeno que causa a peste bovina, uma doença fatal para o gado declarada erradicada no ano passado, disse Drosten.

Os mortais vírus Hendra e Nipah, que são transmitidos a animais de criação e, então, aos humanos, também fazem parte desta família e podem ter se originado na África.

Drosten explicou que as pessoas têm cada vez mais contato com morcegos e que os hábitats dos animais estão se esgotando, especialmente na África, e que por este motivo eles entram em áreas urbanas.