Céu de Plutão é azul e solo tem gelo, diz Nasa

Fotos capturadas pela sonda New Horizons mostram o tom azul brilhante que compõe os céus e também manchas de água congeladas espalhadas pela superfície do planeta

O céu de Plutão é azul e sua superfície tem regiões cobertas por água congelada. De acordo com as análises das últimas imagens enviadas pela sonda New Horizons, responsável pelo rasante histórico sobre o planeta em julho deste ano, essas descobertas são evidências de que o planeta-anão é um dos mais intrigantes do Sistema Solar.

No último mês de setembro, os cientistas já haviam descoberto que Plutão, além de gelado, tem ao seu redor uma neblina. Mas, pela primeira vez, as imagens capturaram a tonalidade dessa névoa: azul brilhante.

“Quem poderia imaginar que existe um céu azul no Cinturão de Kuiper [região do espaço onde Plutão está localizado]? É maravilhoso”, disse Alan Stern, líder da missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês), em um comunicado da Nasa.

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Segundo os cientistas, essa tonalidade azul dá indícios do tamanho das partículas e da composição da neblina ao redor de Plutão. Na maioria das vezes, um céu azul é resultado da dispersão de luz solar em partículas bem pequenas. Na Terra, esses elementos são moléculas de nitrogênio. Em Plutão, os astrônomos acreditam que essas partículas são tolinas (moléculas não encontradas naturalmente na Terra, formadas pela ação da radiação ultravioleta em compostos orgânicos simples) formadas na parte mais alta da atmosfera onde a luz do Sol ioniza as moléculas de nitrogênio e metano e faz com que se recombinem. Nesse processo, formam macromoléculas mais complexas, um processo que foi visto, pela primeira vez na atmosfera de Titã, lua de Saturno. Elas são, provavelmente, vermelhas ou cinza mas, ao dispersarem a luz, promovem a tonalidade azul.

Água gelada – A New Horizons também encontrou manchas de gelo formado de água em algumas regiões de Plutão. Análises divulgadas em setembro revelaram que o planeta-anão tem a superfície mais complexa do Sistema Solar, com dunas, montanhas caoticamente reunidas, fluxos de gelo de nitrogênio (que parecem escorrer das montanhas para as planícies) e vales que podem ter sido esculpidos por substâncias que flutuam pela superfície. Dessa vez, as informações do espectógrafo Raph, um dos instrumentos da sonda, mostraram gelo exposto na superfície.

“Grandes extensões de Plutão não mostram esse gelo de água exposto porque ele está aparentemente mascarado por outros tipos de gelo mais voláteis que cobrem o planeta-anão”, disse Jason Cook, cientista do SwRI, em comunicado da Nasa. “Compreender por que a água aparece exatamente nesses lugares e não em outros é o desafio que estamos tentanto solucionar.”

Gelo em Plutão

New Horizons – Desde que foi lançada pela Nasa, em janeiro de 2009, a sonda New Horizons já percorreu mais de 4,8 bilhões de quilômetros e chegou a uma distância de 12.390 quilômetros de Plutão para fazer fotos e recolher material da atmosfera do planeta-anão.

Essa exploração de uma área desconhecida do Sistema Solar busca trazer informações sobre Plutão e sua maior lua, Charon. Pequenos planetas como Plutão são relíquias de mais de 4 bilhões de anos que podem trazer dados reveladores sobre as origens do Sistema Solar.

Após a aproximação, a New Horizons continua sua viagem para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois do planeta-anão. Em Kuiper existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Essa segunda etapa da viagem está prevista para o período entre 2016 e 2020.

(Da redação)