Manifestante teria dito que responsável pelo rojão é ligado a Marcelo Freixo

Em declaração registrada pela polícia, advogado de Fábio Raposo alegou que recebeu telefonema de uma ativista dizendo que o homem que disparou artefato contra cinegrafista seria ligado ao deputado do PSOL; político nega

O nome do deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL-RJ, foi mencionado em um termo registrado na delegacia que investiga o ataque ao cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, ferido gravemente por um rojão durante uma manifestação no Centro do Rio, na última quinta-feira.

Enquanto o advogado Jonas Tadeu e o estagiário Marcelo Mattoso prestavam assistência jurídica ao tatuador Fábio Raposo, preso neste domingo por envolvimento no episódio, Mattoso recebeu um telefonema da ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho. Na conversa, ela teria oferecido ajuda a Raposo, dizendo que teria advogados criminalistas à disposição. Em seguida, o celular foi passado ao advogado Jonas Tadeu, para quem Sininho teria informado que o rapaz que acendeu o rojão que feriu o cinegrafista seria ligado a Marcelo Freixo.

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Em fotos da manifestação, Fábio Raposo aparece segurando o artefato momentos antes da explosão que atingiu o cinegrafista. Imagens divulgadas pela TV Brasil mostram o jovem passando o rojão para um outro manifestante, que, segundo ele, teria acendido o projétil. A polícia ainda procura esse segundo homem.

Convocação – O teor da conversa foi registrado em depoimento pelo estagiário e pelo advogado em um documento chamado “Termo de Declaração”. Imagens do registro foram exibidas na noite deste domingo pelo Fantástico, da Rede Globo. Ouvido pelo jornal O Globo, Jonas Tadeu explicou que decidiu registrar o termo por ter se sentido pressionado pelo telefonema de Sininho. Em entrevista ao Fantástico, o delegado Maurício Luciano, responsável pelo caso, confirmou as circunstâncias em que o termo foi registrado e afirmou que convocou Sininho para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira.

Em declaração para o Fantástico, a jovem admitiu ter feito o telefonema para o estagiário Marcelo Mattoso, mas negou que tenha dito que o responsável por acender o rojão seria ligado a Freixo.

Deputado nega – Ao programa da Globo, o deputado do PSOL confirmou que recebeu uma ligação de Sininho na manhã de domingo. Segundo Freixo, a jovem teria expressado preocupação com a possibilidade de Raposo ser torturado na prisão. O deputado, no entanto, negou que conheça Raposo ou o homem que lançou o rojão e disse estar surpreso em ver o seu nome envolvido no caso. “Sempre repudiei a violência nos protestos, seja ela praticada por manifestantes ou policiais. Discordo dela como princípio e como método para conquistar qualquer coisa”, afirmou ele, em comunicado.

Ferido na cabeça pelo rojão, Santiago Andrade continua internado em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio.