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Os maiores absurdos encontrados pela PF na Carne Fraca

Entre as descobertas da operação deflagrada contra esquema de corrupção de fiscais há carnes com salmonela, podres e vencidas há três meses

Deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, a Operação Carne Fraca se deparou com uma série de irregularidades praticadas por frigoríficos no país, desde os empreendimentos de pequeno porte às gigantes do setor BRF e JBS.

A investigação, baseada sobretudo em grampos da PF, identificou carnes com salmonela, podres e vencidas, o uso de ácido ascórbico, uma substância cancerígena, para “maquiar” produtos, além do uso de carne de cabeça de porco na produção de linguiças e até o suposto uso de papelão para reforçar a mistura transformada em salsicha.

Veja abaixo os maiores absurdos encontrados na operação:

Carne com salmonela

A investigação da Carne Fraca grampeou debates entre o agente de inspeção federal Carlos Cesar e o auxiliar operacional em agropecuária Carlos Augusto Goetzke, conhecido como Carlão, em que eles ponderam sobre o destino de uma carga de 18 toneladas de carne de peru infectada com salmonela, do frigorífico Souza Ramos: fabricar mortadela ou ração?

“Chega a causar náuseas a naturalidade com a qual ambos tratam a destinação a ser dada para a carne podre, com salmonela e altamente imprópria para consumo – colocar no digestor ou fazer mortadela”, afirmam os investigadores.

Diálogos interceptados pela PF também mostram um diretor da BRF, André Baldissera, conversando com um interlocutor identificado como Fabrício sobre a retenção de contêineres na Itália. Com base nos áudios, a investigação concluiu que as autoridades sanitárias da Europa haviam identificado no carregamento “traços de uma das variações da bactéria salmonela” e, por isso, havia vetado a entrada dos alimentos.

Carne podre e vencida

Em uma conversa interceptada pela Polícia Federal entre Idair Piccin e Normélio Peccin, dois dos sócios do frigorífico Peccin, os empresários demonstram estar impressionados com a resiliência de uma peça de presunto podre, que quase não aparenta a condição. “Não tem cheiro de azedo”, garante um deles:

Normélio: Tu viu aquele presunto que subiu ali ou não chegou a ver?

Idair: Ah, eu não vi. Cheguei lá, mas o Ney falou que tá mais ou menos . Não tá tão ruim.

Normélio: Não. Não tá. Fizemos um processo, até agora eu não entendo, cara, o que é que deu naquilo ali. Pra usar ele, pode usar sossegado. Não tem cheiro de azedo. Nada, nada, nada.

Conforme a apuração da Polícia Federal, até mesmo Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio, os dois líderes do esquema no Paraná, ficavam preocupados com o funcionamento o frigorífico Larissa, do empresário Paulo Sposito, tamanha era a “ausência de qualidade” em sua produção.

Em um diálogo com um funcionário, Sposito não se mostra surpreso com a substituição de etiquetas de validade em um carga de carnes de barriga ou com a utilização de carnes vencidas há três meses para a produção de outros alimentos. “Se é que se pode chamar de alimento algo composto por restos não mais aptos ao consumo humano”, observa a PF.

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Ácido ascórbico como ‘maquiagem’

O frigorífico Peccin, que teve duas unidades interditadas pela investigação, uma em Curitiba e outra em Jaraguá do Sul, tinha um ingrediente secreto em seus produtos. Segundo a ex-auxiliar de inspeção Daiane Marcela Maciel, a empresa promovia “maquiagem de carnes estragadas com a substância cancerígena ácido ascórbico”, truque empregado na produção de salsichas e linguiças, além de usar quantidades de carne muito menores que o indicado em seus produtos e complementá-los com outras substâncias. Ao contrário do que diz a Polícia Federal, no entanto, o ácido ascórbico vem a ser a vitamina C, e não uma substância cancerígena.

O Peccin também mantinha carnes sem rótulos ou refrigeração e falsificava notas de compra do produto.

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Cabeça de porco na linguiça

Uma das interceptações telefônicas da operação flagrou Idair Piccin e sua mulher, Nair, combinando a compra de 2.000 quilos de carne de cabeça de porco para a fabricação de linguiças, prática que é proibida.

Piccin até chega a ponderar a respeito da proibição, mas a mulher diz que conseguiu negociar as duas toneladas da carne por um bom preço e que o marido deveria utilizá-la para “fechar uma carga”.

“É, pega , nós vamos fazer o quê? Só que na verdade usar no que? Vai ter que enfiar um pouco em linguiça ali”, concorda o empresário, preso nesta sexta-feira, assim como sua mulher.

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Papelão na mistura

A investigação também grampeou uma conversa em que dois funcionários da BRF supostamente conversam sobre a suposta inclusão de papelão em carnes utilizadas para processar salsichas, conhecida como CMS.

Funcionário: O problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter que condenar.

Funcionário 2: Ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos pagar rendimentos isso.

Segundo a empresa, no entanto, os homens discutiam a embalagem do produto, e não sua composição.

Comentários

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  1. Dimitri Molotov

    Alguém já disse que “O Brazíu, não é um país sério” e não estava errado. Alguém também já disse que o Brazíu é uma “vergonha mundial, também não estava errado. A pergunta sem resposta é: Quando é que vai parar de ser uma vergonha?

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  2. Noel Andrade

    Ai nego vem dizer que tem selo do SIF, pohha!!! se a inspeção é toda comprada, pode embalar até merd@ e vender como mortadela!

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  3. Noel Andrade

    Os lixos desses fiscais eram tão barato que se vendiam por uma porção de hambúrgueres, duas ou tres peças de alcatra, enfim, esses bost@as deveriam ser exonerados, processados, condenados, presos e se possível ser alimentados com o próprio excremento!

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  4. Fernando Rizzato

    Alguém sabeme dizer como é que eu desligo essas m%$#@& de “advertisement” que não me deixar ler as reportagens? Ou aprendo isso ou vou cancelar a minha assinatura da revista.

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  5. Oiram Ortsac

    Agora eu descobri porque de vez em quando me dá uma caganeira são essas porcarias enlatadas e embutidos que vendem nos supermercados

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  6. Aldo Luiz Mello

    Ácido Ascórbico é o nome científica da VITAMINA C, que NÃO É CANCERÍGENA! Os frigoríficos são safados, mas a imprensa irresponsável também é!

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  7. A partir destas denuncias não compro mais nada destas empresas.
    Por mim eles quebram.

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  8. Paulo Bandarra

    Pior descobrir que o Osmar Serraglio faz parte da turma.

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  9. antonio bezerra da silva

    As desgraças que mereciam uma baita de uma INFECÇÃO INTESTINAL, são as mais IMUNES. É a tal coisa…A quadrilha de assaltantes comandada pelo Sr. Michel Temer, resiste ações de bactérias de alto grau de letalidade…Viva o maior Presidente de todos os tempos do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva

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  10. Henrique Matos

    Acido ascórbico (vitamina C) é cancerígeno? Nossa, a qualidade do jornalismo brasileiro deteriora a cada dia! Não dá pra acreditar no que se lê

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