Alunos mantêm invasão de prédio da USP após confronto com a PM

Confusão começou quando três estudantes foram detidos por fumar maconha no campus. Policiais e jornalistas foram agredidos

Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) que provocaram um tumulto no campus na noite desta quinta-feira permaneciam até as 10h30 ocupando o prédio da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Eles invadiram o local após confronto com a Polícia Militar (PM) que, horas antes, abordou três alunos do curso de Geografia que fumavam maconha. Os rapazes foram levados para a 91ª Delegacia de Polícia, na zona oeste da capital, e liberados após assinar termo circunstanciado. Eles foram autuados por porte de droga.

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Por causa da ação da PM contra os três alunos, cerca de 300 estudantes começaram a agredir os policiais. Três PMs ficaram feridos, dois deles ao serem atingidos por pedras na cabeça, e foram para o hospital. Cinco viaturas da corporação e uma da Guarda Civil foram depredadas pelos manifestantes. O cinegrafista da TV Bandeirantes, Milton Lara Carvalho, foi agredido e ficou ferido no rosto, além de ter a câmera danificada. A polícia teve de usar gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os baderneiros, que queriam forçar a liberação dos estudantes da Geografia detidos.

A invasão à FFLCH, segundo os estudantes, foi decidida em uma assembleia logo após o confronto. Como nesta sexta-feira é feriado na universidade por causa do Dia do Funcionário Público e a próxima quarta-feira será feriado de Finados, vários estudantes votaram contra a invasão, por considerá-la de pouca repercussão neste momento. Muitos alunos que ocupam o prédio da FFLCH foram vistos segurando latinhas de cerveja. Uma viatura da Guarda Universitária acompanha a ocupação. Barricadas, feitas de blocos de cimento, bloqueiam as duas entradas do prédio.

A polícia militar passou a patrulhar o campus da USP em setembro, depois de um aluno das Ciências Atuariais ter sido morto no estacionamento da faculdade. A presença da PM no local foi aprovada pelo Conselho Gestor da universidade em maio.

(Com Agência Estado)