Como a causa palestina é uma das monopolistas da virtude e da compaixão, há quem queria que seus militantes devam ser poupados das próprias palavras. Não aqui!

Publiquei aqui anteontem post sobre uma palestra conferida por Ibrahim Alzeben, embaixador no Brasil da Autoridade Nacional Palestina. Em sua intervenção, conforme registraram os repórteres Cede Silva e Gabriel Toueg, no Estadão (o texto do jornal está aqui), disse Alzeben: “Esse Israel tem que desaparecer, e não é o embaixador do Irã nem o presidente […]

Publiquei aqui anteontem post sobre uma palestra conferida por Ibrahim Alzeben, embaixador no Brasil da Autoridade Nacional Palestina. Em sua intervenção, conforme registraram os repórteres Cede Silva e Gabriel Toueg, no Estadão (o texto do jornal está aqui), disse Alzeben: “Esse Israel tem que desaparecer, e não é o embaixador do Irã nem o presidente (Mahmud) Ahmadinejad quem está falando”. Muito bem! Eu comentei essa magnífica declaração… Ah, foi aquele Alá-nos-acuda! “Ele não disse isso! A frase está fora do contexto! Você está distorcendo…”

Recebo do repórter Cede Silva, do Estadão, a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida:
Olá. Sou um dos co-autores da reportagem em questão, e comento aqui porque sou leitor do blog.
1. Se 10 pessoas escrevessem uma reportagem sobre a palestra, seriam 10 reportagens diferentes.
2. É evidente que tudo o que está na reportagem foi realmente dito pelo embaixador (ou pelo cônsul de Israel, também entrevistado).
3. A reportagem não diz que Alzeben pediu a destruição de Israel. Está lá: “O embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, pregou (…) o fim da ocupação israelense”.
4. Se existe um “trecho completo”, o trecho completo é esse mesmo: “Esse Israel tem que desaparecer, e não é o embaixador do Irã nem o presidente Ahmadinejad quem está aqui falando”. Não houve interrupção ou outra frase entre uma coisa e outra.
5. O embaixador, plenamente ciente da presença de jornalistas e inclusive fazendo referências a isso durante a palestra, decidiu usar uma frase forte para condenar a ocupação da Cisjordânia. É notícia! Alguns podem pensar que “pegou mal”. Mas não é responsabilidade do repórter amaciar o que foi dito. Foi o que ele disse: “Esse Israel deve desaparecer”.

Voltei
Cede Silva demonstra, também com a sua mensagem, que leva a sério a sua profissão. De fato, nem ele e seu colega nem eu dissemos que o embaixador pregou a “destruição” de Israel. Alzeben, como reitera Silva, disse precisamente isto, sem qualquer edição: “Esse Israel tem que desaparecer, e não é o embaixador do Irã nem o presidente (Mahmud) Ahmadinejad quem está falando”.

O que vai agora nada mais tem a ver com o repórter do Estadão. Agora sou eu sozinho. Os que censuraram meu texto afirmaram que o embaixador quis dizer que “este Israel” que ocupa parte do território palestino é que tem de desaparecer… Ah, bom! Agora entendi.

O que não entendi é por que ele resolveu evocar o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, esse nazista islâmico, como referência obviamente positiva. Afinal, sabemos bem o que pensa o delinqüente: a) Israel tem de ser varrido do mapa; b) o Holocausto é uma invenção do sionismo. Disse ou não disse? Ou será que também Ahmadinejad é um pobre homem “lido fora do contexto”?

Quem não quer ser confundido não se mistura com bandido. Alguém tem alguma interpretação benigna para o que disse o embaixador da Autoridade Nacional Palestina? Voltamos à questão que abordei aqui nesta manhã: certas pessoas, grupos e causas têm o monopólio da virtude, da compaixão, da grandeza. É o caso dos palestinos. Como são as vítimas eleitas pela militância anti-isralense (que congrega um amplo leque ideológico, da extrema esquerda à extrema direita, passando pelo “extremo de centro”…), então não se lhes pode atribuir nem aquilo que efetivamente disseram se isso for ruim para eles. Devemos poupá-los de si mesmos porque concordamos com a sua causa…

Pra cima de mim? Não mesmo! O embaixador da Autoridade Nacional Palestina afirmou que “esse Israel tem de desaparecer”. E, para deixar muito claro o que queria dizer, destacou que não era Ahmadinejad, de quem se espera o pior, que estava dizendo aquilo, mas ele próprio.  Não ligo para patrulha. Reitero os termos do meu post.

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