A propaganda de alimentos, a patrulha estupidamente incorreta e meu desafio aos petistas, especialmente ao Supercoxinha. Ou: Não, eu não cuido do caixa da Globo!

Resolvi manter este texto no alto da homepage. A produção da madrugada está abaixo dele Se eu sei mais ou menos como funcionam as coisas, e eu sei, a esta altura, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), presidente do PT, e a tal ONG Alana — a quem pode faltar cultura democrática, mas não dinheiro […]

Resolvi manter este texto no alto da homepage. A produção da madrugada está abaixo dele

Supercoxinha, no traço de Rubão

Se eu sei mais ou menos como funcionam as coisas, e eu sei, a esta altura, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), presidente do PT, e a tal ONG Alana — a quem pode faltar cultura democrática, mas não dinheiro — já mobilizaram as suas franjas na imprensa para torrar a paciência do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que vetou projeto de lei de autoria de Falcão, aprovado na Assembleia, que criava severas restrições à publicidade de alimentos no estado de São Paulo. O objetivo oficial era proteger as criancinhas… Guardai, Senhor, os infantes dos molestadores! Mas os guardai também dos protetores!!!

Uns idiotas com os dois pés no chão e as duas mãos também — e a crina despenteada, como convém a livres ruminantes — mandaram insultos para cá, afirmando que eu estaria defendendo os interesses da Abril. Uau! A lei restringia propaganda em televisão, não em meios impressos ou eletrônicos. Não sei a percentagem da receita publicitária da Abril que deriva da indústria de alimentos. De toda sorte, não estaria ao alcance da nova Lei Falcão de censura. Assim, acho bom essa gente trocar o capim que anda comendo. De resto, eu defendo o faturamento de todas as empresas de comunicação, não só da Abril. Já escrevi e reitero: a diversidade de fontes publicitárias resulta na diversidade de opiniões. Quem depende de dois ou três anunciantes, especialmente se estatais — a exemplo do subjornalismo de aluguel — tem necessariamente o nariz marrom.

Ora, Rui Falcão quer proibir a propaganda de alimentos? Por que os governos estaduais petistas não implementam essa medida? Ele é presidente do partido. Jaques Wagner, por exemplo, domina a Assembleia baiana. Um petista propõe, e o governador acata. Que tal? E não só lá.

Supercoxinha
Fernando Haddad pode vestir o seu uniforme de super-herói — o Supercoxinha — e fazer a Câmara votar uma lei (tem maioria esmagadora por lá) que proíba a propaganda na cidade de São Paulo, ué. É o maior mercado consumidor do país. O que lhes parece?

Aí os cascudos vão dizer: “Um prefeito não tem competência para tomar essa decisão, e a Câmara dos Vereadores não pode votar uma lei assim. Seria tudo inconstitucional!”. Ora, o projeto de lei de Rui Falcão também era. E, no entanto, encontrou defensores entusiasmados.

A mais enfática era Fabíola Cidral, que tem programa na CBN, a rádio mais ouvida do país, que pertence ao grupo Globo. Vejam que coisa bonita é a imprensa desinteressada, né? Eu, que tenho um blog hospedado na Abril — que não seria atingida pela medida —, me opus ferrenhamente à proposta porque AUTORITÁRIA E INCONSTITUCIONAL. Já o grupo Globo, que seria, sim, prejudicado por essa lei (caso ela pudesse vingar), abriga fanáticos proibicionistas… É claro que é preciso ir além do simples contraste: eu sou contra o mérito da medida, sim; outros podem ser a favor. Mas numa coisa os dois lados têm de concordar porque não é matéria de opinião: trata-se de uma INCONSTITUCIONALIDADE.  Pergunto: defender que a Constituição seja arrombada por um projeto de lei é simples matéria de opinião, seja no meu blog ou na CBN? Eu acho que não! Cada um na sua. Assim como não aceito que me ensinem a fazer blog, não vou ensinar ninguém a fazer rádio. Mas posso dar algumas aulinhas sobre a Constituição da República Federativa do Brasil. 

Tentação cínica
É claro que, ao longo desse debate, até me vi tentado a sugerir, cinicamente, que o governador Geraldo Alckmin não vetasse o projeto de lei de Falcão. Alckmin viraria herói da CBN, suponho, e das ONGs. Como o texto seria mesmo declarado inconstitucional, ele ficaria de bem com todo mundo, e o resto seria irrelevante. Mas, nessa profissão, é preciso levar em conta também o caráter formador e educativo. EU ACHO QUE UM JORNALISTA NÃO TEM O DIREITO DE DEFENDER QUE UMA LEI ESTADUAL SE SOBREPONHA A UM DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. Reitero: não ensino ninguém a fazer rádio. Falo sobre o Estado de Direito. Assim, deixei a minha tentação cínica de lado.

De volta ao Supercoxinha
Faço, assim, o meu desafio ao Supercoxinha e aos governadores petistas Agnelo Queiroz (DF), Jaques Wagner (BA), Tarso Genro (RS), Tião Viana (AC) e Marcelo Déda (SE): proíbam a propaganda de alimentos! O STF vai declarar a lei inconstitucional mesmo, mas, assim, vocês marcam uma corajosa posição. Que tal??? E também vão contribuir para elucidar o compromisso do PT com o reino da liberdade, certo? Sempre que o PT se revela além das aparências, meu coração sorri.

Texto originalmente publicado às 21h17 desta quarta
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