A GRANDE NOTÍCIA DO DIA QUASE IGNORADA PELA IMPRENSA. OU:DEIXANDO-SE PAUTAR PELO ADVERSÁRIO

A notícia vai quase escondida no Estadão. Não mereceu nem mesmo uma chamadinha na primeira página. Nos outros jornais, não vi nada a respeito. Os grandes portais, hoje, a ignoram: o estado de São Paulo teve, no terceiro trimestre, o menor número de homicídios em 14 anos. Na série anualizada, que teve inicio em 1996, […]

A notícia vai quase escondida no Estadão. Não mereceu nem mesmo uma chamadinha na primeira página. Nos outros jornais, não vi nada a respeito. Os grandes portais, hoje, a ignoram: o estado de São Paulo teve, no terceiro trimestre, o menor número de homicídios em 14 anos. Na série anualizada, que teve inicio em 1996, comparando-se trimestres correspondentes, o estado atinge a marca de 9 ocorrências para cada grupo de 100 mil habitantes. É o índice mais baixo do país. Só para que se tenha uma idéia do que isso significa: no Brasil como um todo, a taxa é escandalosa, quase o triplo: 26 homicídios por 100 mil habitantes. Em Pernambuco, o índice de São Paulo se multiplica por seis; em Alagoas, por quase sete; no Rio, cuja segurança pública a petista Dilma Rousseff toma como modelo, por quatro.

Qual será o segredo de São Paulo? A própria reportagem do Estadão encerra o texto com uma explicação que certamente agrada aos “especialistas” em direitos humanos, mas desagrada os fatos e a lógica: atribui a queda ao Estatuto do Desarmamento. Sei. E por que não terá o dito-cujo exercido nos demais estados o mesmo efeito? Querem outros que o crescimento econômico esteja na raiz desse feito. O Nordeste foi a região do Brasil que mais cresceu nos últimos anos: a violência, no entanto, explodiu por lá. Em 14 anos, o índice de homicídios em São Paulo despencou: caiu mais de 70%!!!

Mais números: são assassinadas 50 mil pessoas por ano no país, boa parte delas em razão do tráfico de drogas. Se o incide nacional fosse igual ao paulista, morreriam 17.100 — poupando-se 32.900 vidas por ano.

Qual é o segredo de São Paulo?
Se o Estatuto do Desarmamento vale no país inteiro, e os índices de mortes recuam muito timidamente; se o crescimento econômico não explica a redução — já que estados que tiveram excelente desempenho viram explodir a violência —, como explicar o “milagre” paulista? A resposta — que os “especialistas” se negam a ver porque, petistas na sua maioria, estão fazendo política e não ciência — é esta: o estado tem uma polícia mais eficiente e que prende mais bandidos. Querem mais números, que estão ao alcance de todos os meus coleguinhas?

Em dezembro de 2009, a população carcerária no país era de 474.626 pessoas. Do total, nada menos de 34,6% estavam em São Paulo, que tem apenas 22% da população. Será que o estado tem mais pilantras do que os outros ou prende demais? Não! Tem uma polícia e uma segurança mais eficientes. O Rio, por exemplo, vinha em quinto lugar, com menos presos do que Minas, Paraná e Rio Grande do Sul. Eram, há um ano, 399,79  por 100 mil habitantes em São Paulo, contra apenas 166,56 no estado que Dilma elegeu como exemplar na segurança pública.

Vejam que coisa estupefaciente, não é mesmo? Quanto mais bandidos encarcerados, menos bandidos na rua. Quanto menos bandidos na rua, menos gente morta. Essas relações não deveriam ser espantosas, evidentemente. Mas é tal a delinqüência intelectual, teórica e acadêmica no Brasil que o óbvio precisa ser explicitado.

Campanha eleitoral
O eleitor que não é  de São Paulo não sabe: uma das teclas na qual o candidato do PT ao governo do estado, Aloizio Mercadante, derrotado no primeiro turno, bateu muito foi justamente a segurança pública — que, para ele, estava fora de controle.  Até Marina Silva chegou a dizer algo parecido!!! Dilma Rousseff, e isso todo mundo sabe, também é uma crítica severa da política do PSDB na área. Vale dizer: de maneira organizada, sistemática, o PT ataca o que inequivocamente funciona. Há algum tempo, andei me estranhando com um medalhão da Faculdade de Direito da USP, igualmente petista, que andou dizendo besteiras a respeito. Falarei dele em outro post.

Sim, eu acho, sim, que os tucanos são ruins de propaganda pra caramba. Essa questão nem mesmo foi para o horário eleitoral de Serra — e já não tinha sido usada na de Geraldo Alckmin, em 2006. É que alguns bocós consideram que lidar com essas coisas tira o caráter, digamos, “progressista” dos candidatos. Há três eleições, a marquetagem tucana é feita para tentar ganhar votos da esquerda, que, não obstante, votará no PT. O homem comum, esse que anda na rua, que quer segurança pública eficiente, acaba ignorado. Lei e ordem são coisas “de direita”, dizem os colunistas de clichês.

As pesquisas todas apontam que o PSDB perderá a eleição no domingo. Pode ser. Se acontecer, muitas razões poderão ser apontadas (não se joga sozinho, por exemplo), mas uma delas disputa o primeiro lugar nas motivações: a vergonha que os tucanos têm de exaltar os próprios feitos, deixando-se pautar pela agenda do adversário.

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