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Arquivo da categoria Eventos

22/02/2013

às 15:46 \ Eventos

Evento no Museu Lasar Segall discute cultura russa

O matemático, filósofo e artista russo Pavel Florensky

O Museu Lasar Segall, em São Paulo, recebe a segunda edição do Sábado Russo, organizado pela Editora 34 em parceria com Grupo de Estudos Eisenstein no Século XXI, da USP. O evento acontece no dia 2 de março, e começa às 14h com o lançamento do livro A Perspectiva Inversa (tradução de Neide Jallageas e Anastassia Bytsenko, Editora 34, 144 páginas, 34 reais), de Pável Floriênski, e do terceiro volume dos Cadernos de Pesquisa Kinorus Sokurovianas – História e Poder (projeto independente, gratuito, digital, clique aqui para baixar).

Às 15h, será exibido o documentário Os Dias Brancos – Anotações sobre a Filmagem de Nostalgia, Andrei Tarkóvski, feito pelo cineasta espanhol José Manuel Mouriño. Em seguida, às 16h, o evento terá a exibição do filme Dmítri Shostakóvitch – Sonata para Viola, de Aleksandr Sokúrov e Semion Aránovitch.

Após as sessões de cinema, às 17h30, as pesquisadoras Elena Vássina, Claudia Valladão de Mattos e Neide Jallageas participam da mesa redonda “Visões de Guerra e Paz na Rússia Moderna e Contemporânea”. O debate abordará a trajetória e as realizações da arte e o conhecimento de artistas russos, como o matemático e filósofo Pável Floriênski, o artista plástico Lasar Segall, os cineastas Andrei Tarkóvski e Aleksandr Sokúrov e o compositor Dmítri Shostakóvitch.

O encerramento do Sábado Russo ficará por conta dos atores Luiz Pimentel e Tieza Tissi, que farão a leitura de versos de Anna Akhmatova e do poema A Noite Dissolve os Homens, de Carlos Drummond de Andrade, nos jardins do museu.

04/02/2013

às 18:42 \ Eventos

Escritora francesa Lila Azam Zanganeh vem para a Flip

Nesta segunda-feira, a escritora francesa Lila Azam Zanganeh teve a presença confirmada na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano, que tem o escritor Graciliano Ramos como homenageado. Considerada uma das presenças mais ilustres do evento, Lila vai ter seu primeiro livro lançado no Brasil em junho. O Encantador – Nabokov e a Felicidade chega às livrarias pela editora Alfaguara.

Nascida em Paris de pais iranianos exilados, Lila estudou literatura e filosofia na Ecole Normale Supérieure e se mudou para os Estados Unidos para dar aulas na Universidade de Harvard. Ela fala fluentemente seis línguas e já escreveu para os jornais The New York TimesLe Monde e La Repubblica. Em 2011 foi vencedora do Roger Shattuck Prize for Criticism, prêmio concedido pelo The Center for Fiction, que escolhe dois críticos ou ensaístas emergentes.

Misto de ensaio e biografia, o primeiro livro da autora trata do escritor russo-americano Vladimir Nabokov, venerado por ela. Na publicação, aclamada pela crítica especializada, ela trata de literatura, conhecimento e felicidade. Atualmente a escritora trabalha em seu primeiro romance, The Orlando Inventions.

A escritora alemã Herta Müller, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 2009, também deve vir ao Brasil para a Flip de 2013, mas sua participação ainda não foi confirmada pela organização. A 11ª edição da Festa acontece de 3 a 7 de julho e repete a curadoria de 2012 do jornalista Miguel Conde.

28/09/2012

às 12:44 \ Eventos

Flip anuncia Graciliano Ramos como homenageado

Graciliano Ramos

O alagoano Graciliano Ramos será o autor homenageado da próxima edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece de 3 a 7 de julho de 2013. O evento vai comemorar os 120 anos de nascimento do autor, completados em 27 de outubro deste ano, e lembrar os 60 anos de sua morte, ocorrida em março de 1953.

Graciliano Ramos foi escritor, jornalista e político — chegou a ser prefeito de Palmeira dos Índios, município de Alagoas. Suas obras muitas vezes refletem seu engajamento político. Memórias do Cárcere, por exemplo, é um relato do período em que o escritor esteve preso, durante a ditadura de Getúlio Vargas, em 1935, acusado de subversão. Levada ao cinema pelo diretor Nelson Pereira dos Santos, porém, deixa claro como Graciliano foi injustiçado: ele não fazia propaganda comunista em sua obra, como afirmava a ditadura Vargas.

Em 2012, o homenageado da Flip foi o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos em 31 de outubro deste ano. Durante o evento, a organização afirmou não ter um nome definido para 2013. Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, chegou a dizer que a Flip poderia vir renovada no ano que vem, com homenagem a algum autor estrangeiro ou mesmo abordando assuntos além da literatura, como a bossa nova. Com o anúncio desta sexta-feira, as mudanças vão ter que esperar pelo menos mais um ano.

25/09/2012

às 15:05 \ Eventos, Prêmios

Bartolomeu Campos de Queirós vence Prêmio São Paulo de Literatura ‘in memoriam’

Bartolomeu Campos de Queirós

O escritor Bartolomeu Campos de Queirós, em 2010 (foto: Carlos Avelin)

Os escritores Bartolomeu Campos de Queirós e Suzana Montoro foram os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2012, entregue em cerimônia nesta segunda-feira, no Museu da Língua Portuguesa. Queirós, morto em janeiro, venceu na categoria Melhor Livro do Ano com a obra Vermelho Amargo (Cosac Naify, 72 páginas, 39,90 reais), considerada “inesquecível” pelo júri. Já Suzana levou o prêmio de Melhor Livro do Ano – Autor Estreante com Os Hungareses (Ofício das Palavras, 192 páginas, 30 reais).

Em Vermelho Amargo, o narrador lembra a história de sua infância, marcada pela ausência da mãe e a convivência com uma madrasta indiferente, num relato com “intensa qualidade poética”, segundo os jurados do prêmio. Os Hungareses conta a saga de um grupo de imigrantes húngaros tentando se estabelecer no interior de São Paulo. O júri justificou sua escolha ao classificar a escrita de Suzana Montoro como “fluente e sensível”.

Suzana Montoro

Suzana Montoro, vencedora da categoria Melhor Livro do Ano - Autor Estreante (foto: José Cordeiro)

Os escritores foram escolhidos a partir de uma lista com 20 finalistas, dez em cada categoria. Dentre os finalistas, estavam Adriana Lunardi, Hélio Pólvora, Bernardo Kucinski e Eliane Brum. O júri foi composto pela professora Helena Bonito Couto Pereira, o escritor e professor Fernando Augusto Magalhães Paixão, o livreiro Lucio Claudio Zaccara, o crítico literário Fábio Lucas Gomes e o bibliotecário Djair Rodrigues de Souza.

O prêmio é organizado pela Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo desde 2008 e é inspirado pelo Booker Prize, premiação britânica focada em romances. Apesar de ter “São Paulo” no nome, autores de todo o Brasil podem concorrer ao prêmio literário, que oferece o maior valor em dinheiro aos vencedores, 200.000 reais para cada um.

 

24/08/2012

às 17:30 \ best-seller, Eventos, mercado

’50 Tons’ puxa crescimento astronômico da Intrínseca: 140%

O fenômeno Cinquenta Tons de Cinza já vendeu 200.000 exemplares no Brasil

O fenômeno Cinquenta Tons de Cinza já vendeu 200.000 exemplares no Brasil

Em comparação com a edição anterior da Bienal do Livro de São Paulo, a editora Intrínseca mais que dobrou seu faturamento este ano: teve um crescimento de 140%. Cinquenta Tons de Cinza, livro de E. L. James que já soma 200.000 exemplares vendidos no Brasil, contribuiu significativamente para o número. Durante os dez dias que durou a última Bienal, a obra vendeu sozinha 2.200 exemplares — mais que Agapinho, a versão infantil de Ágape, de Padre Marcelo Rossi.

Outro fator que contou a favor da Intrínseca nesta edição da feira foi o tamanho de seu estande. Dois anos atrás, a editora tinha um espaço de 50m², área que em 2012 passou para 120m². O sucesso inesperado de A Culpa É das Estrelas, de John Green, também colaborou. O título foi o segundo mais vendido da Intrínseca na Bienal, com 1.270 exemplares.

A 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo reuniu 750.000 visitantes no Anhembi e teve resultado positivo para grandes editoras, impulsionadas pela presença de autores de apelo comercial e pelas vendas de títulos infanto-juvenis.

Tortura – Enquanto faz sucesso em todo o mundo, o best-seller de E. L. James também levanta polêmica. No puritano país de Obama, um grupo de auxílio a mulheres que sofrem violência doméstica planeja queimar cópias de Cinquenta Tons de Cinza, o qual acusam de incitar a violência sexual, de acordo com notícia do jornal britânico The Guardian.

Na história, que inicialmente era uma fan-fiction (releitura de fã) da melosa saga Crepúsculo, uma estudante de jornalismo se submete a um rico empresário, adepto de rituais sadomasoquistas.

Meire Kusumoto

 

Cinquenta Tons de Cinza

E.L. James

INTRÍNSECA

Agapinho - Ágape para Crianças

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

Ágape

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

Crepúsculo

Stephenie Meyer

Intrínseca

22/08/2012

às 8:01 \ Eventos, mercado

Os campeões de venda da Bienal 2012

Padre Marcelo Rossi, o mais vendido da Globo Livros: 2.000 exemplares (Foto: Priscila Castilho/VEJA)

Enquanto a Câmara Brasileira do Livro (CBL) comemora o recorde de público – foram 750.000 visitantes este ano, contra 740.000 na edição de 2010 — da 22ª Bienal do Livro de São Paulo, editoras fazem um balanço do que venderam. O resultado é positivo entre as grandes casas, que, a pedido de VEJA Meus Livros, elencaram seus campeões de venda no evento. Em parte, esse bom desempenho pode ser explicado pelo preço menor com que os livros foram oferecidos desta vez, de acordo com a Companhia das Letras. O valor médio dos livros caiu de 34,21 reais na edição passada para 29,56 reais nesta, pelo menos na editora, que teve crescimento de 26% na quantidade de vendas e de 9% na receita. Quanto à quantidade, vale lembrar que a Companhia das Letras teve uma boa fatia comprada pela britânica Penguin no final do ano passado e está com novos selos, como o Paralela, focado em uma literatura mais comercial.

O resultado também pode ser explicado, como se vê nas listas dos mais vendidos, pelo impulso comercial dado pelas obras voltadas ao público infanto-juvenil. Caso da biografia da boyband One Direction, que teve 1.475 exemplares comercializados na feira, liderou as vendas da Record e ajudou a editora a crescer 23% em faturamento este ano. E de A Culpa É das Estrelas, de John Green, belo livro sobre adolescentes aprendendo a lidar com um câncer terminal, que foi o segundo mais procurado no estande da Intrínseca, onde a maior busca, é claro, foi pelo erótico Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James. Livro do momento em todo o mundo, ele já soma 200.000 exemplares vendidos no país desde o lançamento, no início do mês. A carioca Rocco, que teve alta de 50% nas vendas nesta edição, foi por sua vez puxada pelas séries juvenis Herança, de Christopher Paolini, e Jogos Vorazes, de Suzanne Collins.

Mas o bom desempenho também deve ser creditado aos culpados de sempre, caso de Paulo Coelho, que, com o novo Manuscrito Encontrado em Accra ajudou a Sextante a vender 50% mais este ano, e de Padre Marcelo Rossi, que, embora não tenha levado a Globo Livros a superar 2010 (a editora ficou no empate), foi o campeão de venda do estande com 2.000 exemplares de Agapinho – Ágape para Crianças comercializados.

Nem todas as editoras divulgaram números dos títulos mais vendidos, mas passaram um ranking de seus best-sellers nesta edição da Bienal do Livro de São Paulo. Confira:

 

Companhia das Letras

1. A Revolução dos Bichos, de George Orwell

2. Sentimento do Mundo – bolso, de Carlos Drummond de Andrade

3. O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

4. Soltei o Pum na Escola, de Blandina Franco

5. Quem Soltou o Pum, de Blandina Franco

6. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

7. Gabriela, Cravo e Canela (edição econômica), de Jorge Amado

8. O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud

9. 1984, de George Orwell

10. Capitães da Areia – bolso, de Jorge Amado

 

Sextante

1. Manuscrito Encontrado em Accra, de Paulo Coelho

2. O Casamento, de Nicholas Sparks

3. O Melhor de Mim, Nicholas Sparks

4. Refúgio, de Harlan Coben

 

Record
1. One Direction, de Danny White (Best Seller)

2.  Assassin’s Creed – Renascença, Oliver Bowden (Galera)

3.  Assassin’s Creed – A Cruzada Secreta, Oliver Bowden (Galera)

4.  As Mais, Patricia Barboza (Verus) – 518

5. Assassin’s Creed – Irmandade, Oliver Bowden (Galera) – 475

6. Battlefield – O Russo, Andy McNab (Galera)- 281

7. Amy, Minha Filha, de Mitch Winehouse (Record) // Apaixonados, Histórias de Amir de Fallen, de Lauren Kate (Galera)

8. O Diário de Anne Frank (Record) // The Walking Dead, A Ascensão do Governador (Galera)

9. Vampiro Secreto – Mundo das Sombras (Galera)

10. Encantadores de Vidas, Eduardo Moreira (Record)

 

Globo
1. Agapinho – Ágape para Crianças, de Padre Marcelo Rossi

2. Maluquinho Assombrado e outros títulos, de Ziraldo

3. Guias Lonely Planet (vários títulos)

4. Jamie – 30 Minutos e Pronto, de Jamie Oliver

5. O Livro da Filosofia, Will Buckingham

6. Livro das Mil e uma Noites (os três volumes já publicados)

 

Rocco

1. Herança, de Christopher Paolini

2. Jogos Vorazes, de Suzanne Collins (toda a trilogia)

3. Pretty Little Liars, de Sara Shepard (todos os oito livros da série de chick-lit)

4. Fala Sério, Filha e outros títulos de Thalita Rebouças

 

Intrínseca

1. Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James

2. A Culpa É das Estrelas, de John Green

 

Meire Kusumoto

 

Cinquenta Tons de Cinza

E.L. James

INTRÍNSECA

Herança

Christopher Paolini

ROCCO

Jogos Vorazes

Suzanne Collins

ROCCO

Manuscrito Encontrado em Accra

Paulo Coelho

Sextante

Agapinho - Ágape para Crianças

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

Ágape

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

A Revolução dos Bichos

George Orwell

Companhia das Letras

Sentimento do mundo

Carlos Drummond de Andrade

Companhia das Letras

O Mundo de Sofia

Jostein Gaarder

Companhia das Letras

O Menino do Pijama Listrado

John Boyne

Companhia das Letras

Gabriela, Cravo e Canela

Jorge Amado

Companhia das Letras

O Mal-Estar na Civilização

Sigmund Freud

Companhia das Letras

1984

George Orwell

Companhia das Letras

Capitães da Areia

Jorge Amado

Companhia das Letras

O Casamento

Nicholas Sparks

ARQUEIRO

O Melhor de Mim

Nicholas Sparks

ARQUEIRO

Refúgio

Harlan Coben

Arqueiro

One Direction - Biografia

Danny White

BEST SELLER

Assassin's Creed - Renascença

Oliver Bowden

GALERA RECORD

Assassin´s Creed - A Cruzada Secreta

Oliver Bowden

GALERA RECORD

Assassin´s Creed - Irmandade

Oliver Bowden

Record

Amy, Minha filha

Mitch Winehouse

RECORD

The Walking Dead - A Ascensão do Governador

Robert Kirkman e Jay Bonansinga

GALERA RECORD

Encantadores de Vidas

Eduardo Moreira

RECORD

O Livro da Filosofia

Vários

GLOBO

Livro das Mil e Uma Noites - Volume 1

Tradução de Mamede Mustafa Jarouche

Globo Livros

Livro das Mil e Uma Noites - Volume 3

Tradução de Mamede Mustafa Jarouche

Globo Livros

Fala Sério, Filha!

Thalita Rebouças

Rocco

 

18/08/2012

às 8:17 \ Entrevista, Eventos

O tempo só escraviza quem não sonha, diz filósofo italiano

Um dos convidados da 22ª Bienal do Livro de São Paulo, que termina neste domingo no Anhembi, zona norte da cidade, o filósofo italiano Mauro Maldonato é especialista em um assunto que faz parte da vida de todos: o tempo. Tempo que, segundo o filósofo, só é sentido e apropriado pelas pessoas nas mudanças capazes de tirar o equilíbrio. E que, para quem não sabe sonhar e ter esperança, pode ser um estorvo: pode tiranizar.

Maldonato, que é também psiquiatra e professor de psicologia geral na Universidade dela Basilicata, na Itália, além de autor de livros como Raízes Errantes e A Subversão do Ser: Identidade, Mundo, Tempo e Espaço, destaca ainda a importância de se tratar os doentes não apenas pelo ataque a seus sintomas físicos, mas também às angústias que os acompanham, muitas vezes despertadas por uma difícil relação com o… tempo.

Foi sobre esse tema, aliás pauta de seu último livro, Passagens de Tempo (Edições Sesc SP, 192 páginas, 36 reais), lançado por aqui em maio, que o italiano falou no segundo dia da Bienal. E depois, com exclusividade, a VEJA Meus Livros.
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De que maneira nós sentimos a passagem do tempo? Nós percebemos o tempo só nas mudanças, vivemos na transição entre um momento e outro. Quando algum acontecimento ou notícia irrompe inesperadamente, sentimos como se estivéssemos caindo no precipício: todo o nosso equilíbrio, ou aquilo que pensávamos que fosse equilíbrio, é jogado por terra. É aí que percebemos o tempo de maneira mais forte. Diariamente, nós transitamos de um momento a outro sem ter uma percepção clara, é como se um piloto automático nos guiasse. Somente nessas situações de rompimento nos damos conta da vida e nos agarramos a ela.

Quando o tempo se torna uma opressão? Quando a liberdade acaba. O tempo se torna opressivo quando nossa esperança no futuro deixa de existir. Quando vivemos naquele tipo de infelicidade diária, começamos a pensar que o tempo nos oprime, mas na verdade o tempo é uma abertura, enquanto esperança. No breve tempo que possuímos, devemos sorrir para a vida.

Até que ponto somos escravos do tempo? Não podemos sair do tempo, mas o tempo só escraviza aquele que vive sem sonhar, sem ter esperança. Nós vivemos no trágico do nosso destino, isso é inegável, a convenção que temos do tempo é trágica, pincipalmente porque todos nós morreremos um dia. Mas isso não deve gerar tristeza, faz parte da nossa vida terrena, devemos sorrir para a nossa sorte.

Quanto do tempo é parte de nossa mente e consciência? O tempo é possível fora dos humanos, de uma sociedade? Eu penso que o tempo nunca está fora da mente. Se nossa mente não estiver ativa, não existe tempo. Eu penso que ele seja uma figura inquietante, que nos dá surpresas, descobertas. Não podemos pensar o tempo, agarrá-lo, ele só existe nessas fraturas da nossa vida. Não corresponde à nossa realidade, mas ao que sentimos. Aquele que não se submete a essa figura inquietante vive a automatização dos dias.

Que proposições novas seu livro Passagens de Tempo traz para a filosofia que estuda o tempo? O tempo dos filósofos, de Parmênides, de Aristóteles, de Santo Agostinho, de (Martin) Heidegger é diferente, porque, além de algo que percebem nas fraturas da vida, é um conceito abstrato. Apesar de eu ter sido confrontado pelo pensamento filosófico, esse livro apresenta outra forma de abordar o tempo. É a ideia de um tempo encarnado na nossa vida, aquilo que sentimos nas mudanças, nas passagens, aquilo que sentimos nas transições do sofrimento. Passei muitos anos da minha vida em contato com a solidão de doentes com depressão, pessoas que vivem num tempo congelado, mas também em contato com esquizofrênicos, que vivem num tempo veloz, pontuado por diversas manias. A experiência com a psicopatologia e a psiquiatria me ensinou que o tempo não pode ser pensado em termos abstratos, precisa ser entendido em termos encarnados, da maneira como é vivenciado pelas pessoas. Por isso, no livro existem as categorias da nostalgia, da consciência, do corpo, que são coisas eminentemente humanas. É desse ponto que eu parto.

Como se dá a relação entre o tempo e a materialidade do homem, o corpo? A ciência não tem palavras para descrever a relação entre a matéria e o tempo. É um verdadeiro mistério, a história miraculosa de como um agregado de moléculas deu origem à matéria pensante. A ciência está tentando já faz algum tempo responder essa questão, mas com poucos resultados.

Uma crítica feita pelo livro Passagens de Tempo é dirigida à medicina que se preocupa apenas com sintomas do corpo doente, e não com a análise das dores e angústias vividas. De que forma a medicina poderia resolver esse problema? Não sei se a medicina consegue sanar esse problema, seria necessária uma mudança de perspectiva. Não se deveria mais pensar no corpo apenas de maneira anatômica, mas como corporeidade, algo que vai além do físico. Quando eu era estudante de medicina, meus colegas eram absolutamente apaixonados por cadáveres, porque encontravam na dissecação um prazer relacionado ao conhecimento proporcionado pela atividade, o que eu respeito e compreendo. Já eu via aqueles corpos sem vida, só osso, pele, faltava um espírito e, para mim, era como se fosse uma casa vazia que eu não conhecia, mas onde sabia que alguém havia vivido. Sempre me perguntava: quem viveu naquela casa? A medicina tem muita dificuldade em pensar sobre essa vida passada.

Como podemos encarar o tempo de modo mais “humanista”, de forma que essa relação com o corpo e a vida seja levada em consideração? Não seria fácil, precisaríamos de uma revolução cultural, porque nos encontramos em uma sociedade que tem dificuldades de ver o corpo como corporeidade, isto é, como algo além do físico. Às vezes, penso que o tempo vive no corpo, que o corpo é o próprio tempo. Nossa experiência do corpo é a nossa experiência do tempo. Nós somos como um trem desgovernado em alta velocidade, e disso nasce o nosso sofrimento, a nossa incapacidade de análise, a enorme quantidade de doenças que temos hoje – as psicossomáticas, cardiovasculares, imunitárias.

O filósofo brasileiro Danilo Santos de Miranda chamou o livro de “compêndio que relaciona medicina, história, psiquiatria, arte, física e psicologia”. De que forma o tempo consegue abarcar todos esses temas? Tudo o que envolve o homem está inserido nesse conjunto de coisas, nesse arquipélago do tempo. Para compreender alguma coisa do tempo, compreender essa quimera de formas inconstantes, você deve arriscar um pouco de tudo.

Abordar tantos temas não é perigoso, não pode acontecer de um deles ficar mal coberto? Na Idade Média e no Renascimento, a física, a filosofia, a medicina e a epistemologia não eram disciplinas separadas. Leonardo Da Vinci, por exemplo, era um grande filósofo, arquiteto, escultor, pintor e engenheiro. Com a modernidade, esses estudos foram divididos, o que causou uma perda terrível, porque eles deixaram de se arriscar, como se estivessem em mar aberto. Dante convidava a fazer isso (a arriscar), com a frase “Coloquei-me em mar aberto”.

Meire Kusumoto

17/08/2012

às 8:10 \ Eventos, mercado

Frankfurt 2013: tradução de brasileiros dispara na Alemanha

Consumidores na 22ª Bienal do Livro de São Paulo (foto de Priscila Castilho/VEJA)

Ser o país homenageado da Feira de Frankfurt, caso do Brasil em 2013, não significa apenas virar notícia em suplementos culturais locais e ter um estande maior naquele que é o principal evento anual do mercado internacional de livros. É também pautar o menu de restaurantes localizados no entorno do encontro, inspirar espetáculos de dança e de música e, é claro, ser lido. Não à toa, a Alemanha acaba de se tornar o país com o maior número de demandas por traduções de títulos brasileiros junto à Fundação Biblioteca Nacional, que concede bolsas de apoio à atividade. Entre julho de 2011, quando a FBN lançou seu novo e mais generoso programa de bolsas, e julho deste ano, foram solicitadas 16 bolsas. E, agora no início de agosto, outras duas.

“No momento,  a informação de que dispomos é de que há um universo de cerca de 30 títulos brasileiros sendo traduzidos ou em estudo para tradução. Efetivamente, a FBN recebeu 18 pedidos de apoio”, diz Rachel Bertol, do Centro Internacional do Livro da FBN. ”Há na Alemanha uma série de projetos de antologias com brasileiros e um movimento forte dos tradutores alemães para traduzir nossos autores, tendo em vista a homenagem de 2013.”

Segundo Rachel, o interesse alemão deu um salto no último ano por causa da Feira de Frankfurt, que este ano acontece entre 10 e 14 de outubro e tem a Nova Zelândia como país homenageado. “Quando se toma o histórico do programa de apoio à tradução, que existe desde 1991, os alemães aparecem em sexto lugar entre os demandadores, com um total 20 bolsas pedidas. Em julho do ano passado, o programa foi relançado com bolsas mais interessantes e com uma previsão de continuidade de investimentos até 2020. E os alemães pularam para o primeiro lugar”, diz.

Mas no geral, tomando o histórico desde 1991, a França ainda é a campeã de demandas, com 38 bolsas. Um número que, diga-se de passagem, é baixo e indica a pequena presença da literatura brasileira no exterior.

Maria Carolina Maia

16/08/2012

às 14:04 \ Eventos, mercado

Miguel Nicolelis: ‘A ciência já superou a ficção científica’

O médico Miguel Nicolelis e o físico Pierluigi Piazzi discutiram a relação entre a ciência e a ficção científica na noite desta quarta-feira, na Bienal do Livro de São Paulo. Para Nicolelis, tanto as obras de ciência como as de ficção científica perderam seu caráter mágico. E por dois motivos: muitos de seus enredos se tornaram realidade com a evolução do conhecimento e a ficção científica atual vem mostrando um mundo sinistro, fadado à destruição. Nada encantador.

Segundo Nicolelis, a biologia influenciou escritores como Arthur Clarke (de 2001: Uma Odisseia no Espaço) e Isaac Asimov (de Trilogia da Fundação), que também eram cientistas. Mas, em determinado momento, a ficção científica foi além da realidade, criando cenários ainda distantes de serem alcançados pelo desenvolvimento científico. Como exemplo, ele citou o romance O Parque dos Dinossauros, de Michael Crichton, que depois deu origem ao filme de mesmo nome dirigido por Steven Spielberg. Na história, um cientista cria um parque com os seres pré-históricos a partir da extração de material genético preservado em insetos. O médico lembra que o procedimento mostrado no livro, de 1990, reflete “um ponto alto” da ciência biológica de vinte anos atrás. Mas hoje, 22 anos depois, esse tipo de experimento já é visto por cientistas como lugar-comum. O que era fantástico agora é padrão.

Por outro lado, nos últimos anos a ciência vem superando a ficção científica em muitos aspectos. Em áreas como a neurociência, os escritores ainda não atingiram o limite da imaginação dos cientistas, segundo Nicolelis. A autonomia do cérebro em relação ao resto do corpo é um campo que está em franco desenvolvimento em laboratório, com os primórdios de uma tecnologia que permite transmitir pensamentos à distância, mas não registra o mesmo avanço na ficção.

Explica-se. Num experimento feito no Japão, as informações cerebrais que comandam os movimentos de um macaco foram transmitidas, via computador, para um robô. Quando o cérebro do animal ordenava um movimento, ele era executado também pelo robô. O mais surpreendente era que o processo eletrônico chegava a ser 20 milissegundos mais rápido do que o “comum”. Ou seja, se o cérebro enviasse ao mesmo tempo uma mensagem ao corpo do macaco e ao robô para que eles pisassem o chão, o robô executaria a tarefa antes.

O novo mundo terrível – De acordo com Miguel Nicolelis, a ficção científica atual se vale de uma reciclagem de antigas ideias, empregadas para o “lado negro da força”. O mundo que ela mostra é caótico, à beira da destruição: “É uma realidade de terror. A ciência fornece material para a criação de um mundo pior do que o nosso”, disse ele. Se nos tempos de Asimov e Arthur Clarke a ciência era uma forma de conhecer um universo novo e mágico, hoje ela é vista como “condutora da nossa destruição”.

O médico contou que, quando visita escolas e diz que é cientista, as crianças até se seguram nas cadeiras, apreensivas. “É como se eu fosse revelar para elas de qual forma a Terra vai ser aniquilada”, brincou.

O físico e professor Pierluigi Piazzi concordou com o médico sobre o poder mágico da ficção científica que se fazia antes, aquela que o inspirou a estudar ciência. Para ele, o gênero não só influencia a formação de novos profissionais da área, mas também contribui para a criação de leitores, uma vez que suas histórias são instigantes. E, num país que lê pouco, a ficção científica pode ajudar a melhorar o quadro ainda modesto de jovens leitores.

Meire Kusumoto

14/08/2012

às 16:27 \ Eventos, mercado

Para presidente da CBL, investimento menor em leitura reflete queda de preços do setor

Karine Pansa, a presidente da Câmara Brasileira do Livro

Em pesquisa realizada pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) entre 2002 e 2003, a parcela destinada à aquisição de livros, jornais e revistas correspondia a 5% do orçamento das famílias brasileiras. No biênio 2008-2009, a parcela diminuiu para 4%. Em valores absolutos, passou de 160 para 128 reais. Em debate realizado nesta terça-feira na Bienal do Livro de São Paulo, a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, procurou minimizar a queda, afirmando que um dos principais motivos para a redução do investimento em leitura é a diminuição no preço dos livros.

Francisco Ednilson Gomes, presidente da ANL, concordou. “O interesse pelo livro cresceu e o mercado tem se esforçado para não aumentar os preços.” Segundo pesquisa realizada pela CBL em conjunto com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2011, houve aumento de 7,2% na venda de exemplares, com relação ao ano de 2010. No mesmo período, o preço médio de obras gerais teve redução de 11,3%.

Para Gomes, no entanto, a leitura ainda precisa ser muito incentivada, por meio de ações que coloquem em evidência a importância das livrarias. Ele disse que a distribuição de livros didáticos feita diretamente em escolas é um obstáculo na criação do interesse de crianças e jovens por leitura, uma vez que eles perdem a oportunidade de visitar livrarias e conhecer outras obras.

Karine Pansa completou, dizendo que o incentivo não deve acabar aí. Professores e pais têm papel crucial no incentivo aos mais jovens, bem como grandes eventos, como a própria Bienal. Além disso, cabe ao governo parte dessa responsabilidade, por meio da promoção de campanhas para a formação de novos leitores.

Meire Kusumoto

 

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